O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual, em conjunto com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil, deflagrou nesta quinta-feira (25) a Operação Última Parada. A ação investiga a possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da cidade de São Paulo. Esta é a quarta empresa de ônibus da capital a ser citada em investigações com suspeitas de ligação com a facção criminosa.
Pela primeira vez, um vereador da capital paulista, identificado como Senival Moura (PT), que ocupa o cargo de 1º secretário da Câmara Municipal, foi preso sob suspeita de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado. Segundo a investigação, os recursos seriam movimentados por meio da empresa de ônibus Transunião, também alvo da operação, cujo presidente, Lourival de França Monário, igualmente foi detido.
As autoridades informaram que foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e 103 mandados de busca e apreensão, distribuídos em 13 municípios dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 194 milhões, incluindo 117 ônibus, 21 imóveis e três embarcações. Também foi ordenada a intervenção na empresa e o afastamento dos seis membros da cúpula administrativa, com a gestão passando a ser responsabilidade da SPTrans.
A operação ocorre em continuidade a outras ações recentes voltadas ao setor. Em 2024, a chamada Operação Fim de Linha já havia atingido as empresas Transwolff e UPBus, também investigadas por suspeita de ligação com o crime organizado. A Transunião, por sua vez, já era monitorada desde 2022 e, somente entre janeiro e maio deste ano, recebeu cerca de R$ 182,1 milhões da Prefeitura de São Paulo pela prestação de serviços de transporte de aproximadamente 6 milhões de passageiros por mês.
Ainda em 2025, o município teria destinado R$ 163 milhões adicionais para projetos de eletrificação parcial da frota da empresa, que opera 614 ônibus em 57 linhas na zona leste da capital.
De acordo com o Departamento Estadual de Investigações Criminais, a análise das movimentações financeiras indica que o vereador exerceria influência sobre a empresa, mesmo sem integrar formalmente seu quadro societário. Ele seria apontado como responsável pelo chamado “controle tático da gestão” e pela estrutura financeira, sendo descrito como peça central na utilização da companhia para movimentação de valores ligados à lavagem de dinheiro de indivíduos associados ao PCC.
Relatórios técnicos do Laboratório de Lavagem de Dinheiro (Lab-LD) da Polícia Civil indicam que a Transunião teria movimentado cerca de R$ 545 milhões em créditos e R$ 546 milhões em débitos no período investigado. Os dados apontam ainda para grande fragmentação de operações, circulação cruzada de recursos entre pessoas físicas e jurídicas e intensa pulverização bancária.
Os investigadores também identificaram aproximadamente R$ 24,7 milhões em créditos sem origem devidamente esclarecida. Para as autoridades, esse volume de recursos sem rastreabilidade adequada é incompatível com práticas de transparência empresarial e reforça os indícios de irregularidades financeiras sob análise.