O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), sob gestão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, informou que irá notificar a Associação Catarinense de Gestão Hospitalar (CHC) após surgirem indícios de possíveis irregularidades em castrações de cães e gatos vinculadas ao programa Castra +.
As suspeitas foram reveladas pelo portal Metrópoles, que identificou inconsistências em registros de procedimentos realizados em mutirões de castração e microchipagem promovidos em municípios do estado de São Paulo. O programa é executado por ambulatórios veterinários móveis e atua em 17 cidades paulistas.
Segundo a apuração, a CHC firmou contratos com clínicas que já são investigadas pela Polícia Civil do Paraná e pela Polícia Federal (PF), no Rio de Janeiro, o que ampliou a atenção sobre a execução dos serviços.
O levantamento analisou cerca de 500 registros de animais supostamente atendidos nos mutirões do Castra +. Em 439 casos, foram encontrados indícios de que os pets não existiriam ou de que os dados apresentados apresentavam falhas graves. Entre as inconsistências, há cadastros com informações consideradas incompatíveis, como um suposto tutor identificado com o nome de “Samsung A14”.
Em São Paulo, o programa teria recebido R$ 11,7 milhões em recursos de emenda parlamentar destinados pelo deputado federal Bruno Lima. O parlamentar afirmou ao Metrópoles que a responsabilidade pela habilitação e contratação das entidades cabe ao Ministério do Meio Ambiente.
“Minhas ações de castração junto ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) tiveram início em 2025. Antes disso a CHC já era cadastrada, conveniada e executava serviços junto ao MMA”, declarou o deputado. Ele também disse não ter conhecimento de eventuais irregularidades ou investigações envolvendo as empresas ligadas ao programa.
Outro caso citado no levantamento envolve o cadastro de um tutor identificado apenas como “Leonardo”, associado à castração de uma cadela chamada “Quiara”. No sistema nacional, o microchip do animal aparece registrado com o nome “Bolsonaro 17”, e o responsável pelo cadastro seria o proprietário da clínica contratada para os procedimentos.
Em resposta, a entidade afirmou que eventuais problemas decorreriam de falhas técnicas e instabilidades no sistema.
“Todas as falhas foram comunicadas ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com o registro exato de quando aconteceram. Em razão dessas instabilidades, alguns cadastros precisaram ser realizados depois do atendimento, por isso eventuais ausências de nome completo em parte dos registros”, informou a CHC em nota.
Após a divulgação das informações, o MMA declarou que irá apurar os fatos e formalizar notificação à entidade responsável pelo convênio.
“Em razão das informações recentemente apresentadas, o MMA notificará a entidade executora para que preste esclarecimentos. Somente após a manifestação da entidade e a análise técnica das informações será possível chegar a conclusões sobre os fatos”, disse a pasta.
O ministério também destacou que os repasses dependem da aprovação do plano de trabalho e informou que, até o momento, já foram liberados R$ 5,6 milhões à entidade por meio de emenda impositiva.