O mercado financeiro iniciou esta sexta-feira (12) em clima mais otimista. O dólar registrou queda frente ao real, enquanto a Bolsa brasileira operava em alta, refletindo tanto indicadores econômicos domésticos quanto o alívio gerado por possíveis avanços diplomáticos no Oriente Médio.
Por volta das 10h36, a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,072, com recuo de 0,52%. Já o Ibovespa avançava 0,57%, alcançando 172.490 pontos. Na sessão anterior, o dólar já havia acumulado forte desvalorização, encerrando o dia a R$ 5,099, enquanto a bolsa brasileira registrou alta de 1,7%.
O movimento dos mercados foi impulsionado principalmente por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que um acordo entre Washington e Teerã estaria próximo de ser formalizado.
Em publicação feita na rede Truth Social, Trump afirmou que decidiu suspender ataques militares que estavam previstos contra o Irã após avanços nas negociações.
Segundo o republicano, “considerando que as discussões com o Irã foram levadas ao mais alto nível da liderança iraniana e aprovadas”, as ações militares planejadas para a noite anterior foram canceladas.
Trump acrescentou ainda que “as discussões e os pontos finais foram, tanto em conceito quanto em detalhes, aprovados por todas as partes envolvidas, incluindo os Estados Unidos, Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Turquia, Paquistão, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Egito e outros”.
Em outra parte da mensagem, o presidente norte-americano afirmou que “o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor até que esta transação seja finalizada -a data e o local da assinatura serão anunciados em breve”.
Apesar da declaração, autoridades iranianas evitaram confirmar oficialmente a existência de um acordo definitivo. A agência estatal Fars informou, citando uma fonte ligada às negociações, que Teerã ainda não aprovou a versão final de qualquer documento.
A possibilidade de um entendimento entre os dois países melhorou o humor dos investidores ao redor do mundo. Nos últimos dias, os mercados vinham acompanhando com cautela o aumento das tensões militares entre Estados Unidos e Irã, mesmo após tentativas anteriores de cessar-fogo.
A reação foi imediata. O dólar perdeu força globalmente e chegou a atingir sua menor cotação do dia no mercado brasileiro, após oscilar entre R$ 5,096 e R$ 5,180. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de divisas fortes, também registrou queda.
O cenário positivo beneficiou ainda as bolsas dos Estados Unidos. Os índices S&P 500, Nasdaq e Dow Jones encerraram o pregão anterior com ganhos expressivos, sustentados também pelo forte interesse dos investidores no setor de inteligência artificial.
Informações divulgadas pela agência Reuters apontaram que representantes iranianos e autoridades internacionais seguem trocando mensagens para concluir detalhes técnicos do entendimento. Entre os temas pendentes estão mecanismos para a liberação de bilhões de dólares em recursos iranianos bloqueados no exterior.
Uma das fontes ouvidas pela agência avaliou que o conflito entrou em uma fase favorável ao diálogo. “Esta guerra, do ponto de vista militar, é um beco sem saída. Os norte-americanos não conseguiram atingir seus objetivos atacando o Irã. Houve progresso nas negociações”, afirmou.
Ao longo dos últimos meses, Trump tem reiterado que um acordo abrangente está próximo. A proposta envolveria questões ligadas ao programa nuclear iraniano, à navegação no Estreito de Hormuz e à flexibilização de sanções econômicas impostas a Teerã.
Horas antes de anunciar os avanços diplomáticos, o presidente americano havia endurecido o discurso e criticado a demora iraniana para concluir as negociações. Em entrevista à Fox News, chegou a mencionar a estratégica Ilha de Kharg, importante centro petrolífero do país.
“Estamos conversando com eles e tudo mais, mas, sabe, veja bem, minha preferência sempre foi tomar a Ilha de Kharg… essa seria minha preferência. Não sei se os Estados Unidos têm estômago para isso”, declarou.
No mercado de commodities, o petróleo registrou forte queda. O barril do Brent recuava cerca de 4,6%, sendo negociado próximo de US$ 88. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, apresentava baixa de aproximadamente 4,2%, cotado em torno de US$ 86.
No Brasil, os juros futuros também acompanharam o movimento de alívio nos mercados. As taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) e os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano operaram em queda, refletindo a diminuição da aversão ao risco entre os investidores.