Dólar cai no Brasil enquanto mercado monitora novos ataques entre EUA e Irã

Por volta do meio-dia, o dólar registrava queda de 0,36% frente ao real, sendo negociado a R$ 5,026

Os mercados financeiros iniciaram a semana atentos aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Nesta segunda-feira (1º), a escalada das tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel voltou a influenciar o comportamento dos investidores, refletindo nos mercados de câmbio e renda variável.

Por volta do meio-dia, o dólar registrava queda de 0,36% frente ao real, sendo negociado a R$ 5,026. O movimento contrariava a tendência observada no cenário internacional, onde a moeda norte-americana ganhava força diante de outras divisas relevantes.

Na Bolsa brasileira, o clima era de cautela. O Ibovespa operava em baixa de 1,02%, aos 172 mil pontos, ampliando as perdas acumuladas nas últimas semanas. O principal índice acionário do país encerrou maio com recuo superior a 7%, o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023.

O mercado reagiu aos novos episódios de confronto registrados no Oriente Médio. Nas últimas horas, forças norte-americanas anunciaram ataques contra centros de comando no sul do Irã, alegando resposta à derrubada de um drone dos Estados Unidos. Em contrapartida, autoridades iranianas informaram ter realizado ofensivas contra instalações utilizadas pelos americanos na região.

O cenário ficou ainda mais delicado após declarações de representantes iranianos indicando a interrupção dos contatos indiretos com Washington. Segundo informações divulgadas pela agência Tasnim, não haverá avanço nas negociações enquanto persistirem as operações militares de Israel no Líbano.

A retomada das ofensivas aumentou a preocupação dos investidores com possíveis impactos sobre o fornecimento global de energia, especialmente devido à importância estratégica do Estreito de Hormuz para o transporte de petróleo e gás natural.

Após as notícias, ativos considerados mais seguros voltaram a ganhar espaço entre os investidores. Os rendimentos dos títulos do governo norte-americano avançaram, enquanto o petróleo Brent voltou a se aproximar da faixa dos US$ 97 por barril.

Para Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado global da Ebury, os investidores seguem aguardando sinais mais concretos sobre uma possível redução das tensões. “As principais moedas do grupo G10 continuam sendo negociadas dentro de faixas muito estreitas, já que os investidores demonstram sinais de fadiga em relação às negociações, enquanto aguardam garantias de que o conflito não voltará a se intensificar”.

Ele acrescentou que “No geral, a resiliência do dólar diante da redução dos prêmios de risco e da melhora do sentimento dos investidores é notável.”

No Brasil, além da conjuntura internacional, o mercado acompanha os possíveis reflexos da decisão dos Estados Unidos de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Embora ainda não haja clareza sobre os efeitos econômicos da medida, especialistas avaliam cenários distintos para o mercado financeiro.

A estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, avalia que a medida pode influenciar decisões de investidores internacionais. “Existem alguns grandes fundos de pensão que têm critérios ESG que excluem automaticamente qualquer país com instabilidade. Isso pode, sim, afetar diretamente países que têm organizações classificadas como terroristas, e um fluxo estrangeiro relevante pode deixar de vir para cá ou sair daqui pontualmente por conta disso.”

Já Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, entende que os efeitos tendem a ser limitados. “Macroeconomicamente falando, o mercado não está tão preocupado. O tema é mais político do que econômico e traz, sim, alguma volatilidade no curto prazo. Mas acredito que, ao longo do tempo, será um ‘não-evento’ para o mercado.”

Para Rodrigo Moliterno, sócio da Veedha Investimentos, o principal fator de pressão sobre a Bolsa continua sendo o movimento de realocação de recursos dos investidores estrangeiros. “O estrangeiro está voltando para empresas de tecnologia e saindo do Brasil, e é isso que tem ditado mais o movimento da Bolsa. Juros altos e fiscal também afetam a atratividade”, afirmou.