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EUA acusam BYD de ser ligada ao Exército chinês e inclui fabricante em ‘lista de risco’

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A BYD foi incluída em uma lista restritiva do governo dos Estados Unidos que sinaliza corporações com supostas colaborações com o exército chinês. A decisão, confirmada pelo Departamento de Defesa americano no início desta semana, não impõe sanções comerciais diretas contra a venda de veículos, mas proíbe que o órgão governamental assine contratos com a fabricante a partir do final de junho.

A manobra de Washington atinge a cadeia global de fornecimento para veículos elétricos e tecnologia autônoma. O documento, que agora conta com 188 nomes, passou a listar também a Nio, concorrente no segmento elétrico de luxo, e as maiores fornecedoras de baterias da indústria, como CATL, CALB e Eve Energy. Outras empresas fora da área automotiva também foram acusadas, como Alibaba e Tencent.

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Empresas asiáticas focadas em inteligência artificial e sensores automotivos também entraram na restrição. A fabricante de radares LiDAR Hesai e a gigante de tecnologia Baidu, que desenvolve sistemas avançados de condução autônoma, passam a sofrer o mesmo tipo de embargo de compras federais.

O governo americano baseia a decisão na política local de integração civil e militar da China. O entendimento do pentágono é que corporações com alta capacidade de inovação e atuação em infraestrutura crítica contribuem indiretamente para a modernização das forças armadas daquele país. A partir de 2027, as compras ficarão proibidas até mesmo por meio de intermediários.

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O governo chinês reagiu à decisão do Departamento de Defesa. “A China se opõe de maneira veemente à generalização, por parte dos Estados Unidos, do conceito de segurança nacional (…) e à sua imprudente repressão das empresas chinesas”, disse Lin Jian, porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores.

BYD INSIDE
Divulgação/Quatro Rodas

Estratégia e retaliação comercial

Na prática, a inclusão no documento funciona como um mecanismo de pressão de mercado e eleva o risco de reputação das corporações listadas. O objetivo do governo americano é desestimular que fornecedores locais e outras instâncias de governo firmem parcerias estratégicas com as gigantes da mobilidade chinesa.

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A fabricante chinesa de veículos, que assumiu o protagonismo nas vendas globais de elétricos, contestou a medida para tranquilizar investidores. A companhia afirmou em comunicado oficial que a inclusão na lista não tem embasamento factual e que a restrição se limita ao departamento de defesa dos EUA, não interferindo em sua produção ou na negociação de suas ações em bolsa.

A justificativa americana também encontrou resistência entre analistas de mercado e executivos que orbitam as corporações de tecnologia. Críticos apontam que o fornecimento de veículos e componentes comerciais ocorre em âmbito civil e que, se a mesma lógica de fornecimento nacional fosse aplicada aos Estados Unidos, grandes grupos automotivos de Detroit também precisariam ser classificados como empresas militares.

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Consequências para o mercado global

A escalada nas restrições reflete a tensão ocidental com a rápida ascensão tecnológica asiática e o domínio sobre a cadeia de insumos. Embora a fabricante chinesa ainda não comercialize seus automóveis de passeio em solo americano, a marca e as fabricantes de baterias listadas controlam o fornecimento global de componentes essenciais para a eletrificação.

A movimentação de bastidores ocorre poucas semanas antes de encontros diplomáticos focados em comércio e tarifas de importação. Enquanto políticos americanos aumentam a pressão por barreiras totais contra veículos eletrificados asiáticos, o cenário força uma reconfiguração na indústria, com fabricantes buscando nacionalizar a produção em mercados neutros para contornar possíveis embargos.

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