Um relatório divulgado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) reacendeu as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O órgão norte-americano concluiu que o país não possui mecanismos suficientes para impedir a entrada de produtos ligados ao trabalho forçado, argumento que pode servir de base para a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.
Entre os principais pontos levantados pelo documento está a produção de carne bovina. O relatório afirma que há registros de trabalho forçado em parte da cadeia pecuária brasileira e cita a existência de produtores incluídos na chamada Lista Suja do Trabalho Escravo. O texto também destaca que a maior parte das exportações brasileiras de carne bovina congelada em 2025 teve como destino países que estão sob investigação comercial pelos Estados Unidos, especialmente a China.
Segundo a análise norte-americana, as exportações brasileiras de carne bovina para o mercado chinês cresceram de forma expressiva na última década, enquanto as vendas dos Estados Unidos registraram retração no mesmo período. Para o USTR, essa diferença indicaria uma possível vantagem competitiva decorrente de custos menores.
O relatório ainda menciona outros produtos comercializados pelo Brasil, como o algodão, e sustenta que a importação de mercadorias oriundas de países com histórico de trabalho forçado poderia gerar distorções na concorrência internacional e afetar empresas norte-americanas.
Entre as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos estão a ausência de uma legislação específica que proíba a importação de bens produzidos com trabalho forçado e a alegada falta de mecanismos eficazes para impedir a entrada desses produtos no mercado brasileiro.
Apesar das críticas, o Brasil mantém uma série de instrumentos de combate ao trabalho análogo à escravidão. O país é signatário de convenções internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e possui mecanismos reconhecidos internacionalmente, como a Lista Suja do Trabalho Escravo, utilizada para identificar empregadores responsabilizados por esse tipo de prática.
Além disso, o Ministério Público do Trabalho (MPT) desenvolve investigações sobre cadeias produtivas suspeitas de exploração laboral, monitorando empresas e setores econômicos em diferentes regiões do país.
Durante a investigação conduzida pelos Estados Unidos, o governo brasileiro apresentou defesa. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, argumentou que eventuais sanções seriam desproporcionais e ressaltou que o Brasil possui legislação, acordos internacionais e ações de fiscalização voltadas ao combate do trabalho forçado e da exploração humana.