Ex-executivos afirmam que deputado recebeu milhões para favorecer contratos

As informações constam em cinco delações firmadas com o Ministério Público entre 2020 e 2021

O deputado federal Juarez Costa (Republicanos-MT) foi citado em acordos de colaboração premiada firmados por ex-executivos da Aegea, empresa considerada uma das maiores do setor de saneamento básico do país. Segundo os relatos, o parlamentar teria recebido vantagens indevidas enquanto ocupava o cargo de prefeito de Sinop (MT), entre 2009 e 2016. Procurado para comentar as acusações, ele não se manifestou.

As informações constam em cinco delações firmadas com o Ministério Público entre 2020 e 2021. Os acordos receberam homologação em 2025 pelo ministro Raul Araújo, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Nos depoimentos, ex-dirigentes da companhia afirmaram que foram realizados pagamentos que, somados, chegaram a R$ 30 milhões. De acordo com os colaboradores, os valores teriam sido destinados ao então prefeito ao longo de vários anos, permanecendo até 2018. Conforme os relatos, os recursos seriam utilizados para quitar compromissos financeiros relacionados a campanhas eleitorais.

Um dos depoimentos também menciona a entrega de um veículo de luxo. O ex-presidente da empresa, Hamilton Amadeo, declarou que Juarez Costa teria solicitado uma BMW em 2014. Segundo o executivo, a aquisição do automóvel teria sido autorizada como parte dos supostos repasses indevidos. Em contrapartida, o então gestor municipal teria promovido alterações em normas e legislações que favoreceram a atuação da concessionária.

O ex-diretor financeiro da companhia, Flávio Crivellari, detalhou a compra do veículo e afirmou que o automóvel custou cerca de R$ 330 mil na época. Ainda conforme seu relato, a solicitação teria sido feita diretamente ao comando da empresa, e a transferência do bem ocorreu por intermédio de um consultor terceirizado ligado à concessionária.

A Aegea atua em centenas de municípios brasileiros e atende milhões de pessoas por meio de serviços de água e esgoto. Nas colaborações premiadas, executivos da empresa admitiram a realização de pagamentos ilícitos em diferentes cidades do país entre 2010 e 2018.

O ministro Raul Araújo não comentou especificamente as acusações envolvendo o deputado federal. Até o momento, não há manifestação pública de Juarez Costa sobre o conteúdo dos depoimentos.