Flávio Bolsonaro busca fortalecer base no Nordeste, mas enfrenta cenário adverso

O Nordeste foi decisivo para a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022

O senador Flávio Bolsonaro (PL) ainda enfrenta dificuldades para ampliar sua estrutura política no Nordeste, considerada uma das regiões mais importantes para a disputa presidencial de 2026. A menos de um mês do início das convenções partidárias, o partido segue sem definir candidatos ao governo em quatro estados e convive com palanques considerados frágeis e aliados que evitam associar suas campanhas à corrida pelo Palácio do Planalto.

O Nordeste foi decisivo para a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. Na ocasião, o petista abriu uma vantagem de 12,6 milhões de votos sobre Jair Bolsonaro (PL), desempenho que o partido pretende repetir no próximo pleito.

Atualmente, o PL ainda não definiu candidaturas aos governos de Pernambuco, Ceará, Maranhão e Alagoas. No Ceará, as negociações envolvendo uma possível aliança com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) continuam sem avanço, enquanto divergências entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro sobre a estratégia eleitoral vieram a público recentemente.

Michelle criticou a possibilidade de apoio a Ciro Gomes e revelou ter sido alvo de desentendimentos com Flávio após defender uma composição diferente para a eleição estadual. Apesar de o senador apoiar um acordo com o tucano, Ciro já declarou que não pretende participar de atos de campanha ligados ao PL.

No Maranhão, a desistência de Lahesio Bonfim (Novo) da disputa pelo governo também alterou o cenário. O ex-prefeito Eduardo Braide (PSD), apontado como uma das principais lideranças locais, mantém distância da disputa presidencial, enquanto o comando estadual do PL apoia nomes ligados à base do presidente Lula para o Senado.

Situação semelhante ocorre em Pernambuco e Alagoas, onde o partido ainda busca fortalecer sua presença. Em Sergipe, o PL perdeu lideranças importantes após mudanças partidárias, e no Piauí aposta em uma candidatura considerada de menor competitividade diante da força da oposição estadual.

Na Bahia, embora exista uma aliança com ACM Neto (União Brasil) na disputa estadual, o ex-prefeito de Salvador tem adotado uma postura de distanciamento em relação à eleição presidencial. Aliados avaliam que uma aproximação maior com Flávio Bolsonaro poderia afastar parte do eleitorado local.

Os cenários mais favoráveis ao PL no Nordeste estão na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Na Paraíba, Efraim Filho passou a integrar o partido e mantém atuação conjunta com Flávio Bolsonaro, que deve participar de um evento político em Campina Grande no início de julho. Já no Rio Grande do Norte, o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias disputa o governo estadual como principal representante da direita.

Para o cientista político Elton Gomes, professor da Universidade Federal do Piauí, as dificuldades encontradas por Flávio Bolsonaro não se explicam apenas pela força histórica do PT na região, mas também pelo pragmatismo das lideranças locais, que costumam priorizar alianças consideradas mais vantajosas eleitoralmente.

O pesquisador avalia ainda que o Nordeste apresenta uma dinâmica política diversa. Segundo ele, embora o PT mantenha predominância em boa parte da região, o bolsonarismo tem ampliado seu espaço em áreas urbanas, impulsionado por temas como segurança pública, liberdade econômica e pautas conservadoras.