O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), levantou suspeitas nesta segunda-feira (1º) sobre a operação realizada pela Polícia Civil de São Paulo contra a produtora responsável pelo filme Dark Horse e setores ligados à Prefeitura da capital paulista. Na avaliação do parlamentar, a ação pode estar relacionada a uma tentativa de interferência no cenário eleitoral.
Durante declarações à imprensa, Flávio afirmou confiar na administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB), mas demonstrou preocupação com a atuação de parte da estrutura policial vinculada ao governo paulista.
“Só espero que não seja uma perseguição estatal por parte de alguns setores para influenciar as eleições”, declarou o senador ao comentar a investigação que teve como alvo a Go UP Entertainment, produtora do longa sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. A empresa está ligada a um instituto que mantém contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para implantação de internet sem fio em comunidades carentes.
Mais cedo, o parlamentar já havia questionado os objetivos da operação. “Não quero crer que uma parte da polícia esteja sendo usada para fins eleitoreiros. E usar uma operação como essa não para ver se teve algum problema nesse contrato de wi-fi, mas para tentar, por uma via transversa, uma chamada ‘pescaria probatória’, tentar encontrar alguma coisa que vá contra o filme do presidente Bolsonaro”, afirmou.
As declarações foram feitas durante um evento voltado ao agronegócio, realizado em Belo Horizonte pela rádio Itatiaia. Na ocasião, Flávio saiu em defesa da gestão de Ricardo Nunes, cuja administração teve uma secretaria incluída entre os alvos da ação policial.
“Não há absolutamente nada de errado, confio no trabalho da Prefeitura de SP, foi tudo explicando, algo bem anterior ao filme [‘Dark Horse’]”, disse.
O prefeito Ricardo Nunes também comentou o caso e sugeriu que a operação poderia ter motivações políticas, embora não tenha detalhado os motivos que o levaram a essa avaliação.
Outros nomes cotados para disputar a Presidência da República, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), evitaram entrar na discussão. Caiado afirmou que o tema não fazia parte de sua agenda de debates, enquanto Zema declarou não ter conhecimento do assunto.
Flávio Bolsonaro também argumentou que a repercussão envolvendo o filme e os recursos destinados à produção pelo banqueiro Daniel Vorcaro estaria desviando a atenção de temas considerados mais relevantes para o país. Entre os exemplos citados por ele está o prejuízo bilionário registrado pelos Correios.
O senador ainda comemorou a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. Na mesma linha, questionou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por manter vídeos com a influenciadora Deolane Bezerra, que chegou a ser presa sob suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro investigado por ligação com o PCC.