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Operação da PF contra Jaques Wagner preocupa campanha de Lula

Por Brasil Direto

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“Não se meta nas eleições no Brasil”, diz Lula a Trump

A operação deflagrada pela Polícia Federal contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), provocou apreensão entre integrantes da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação interna é de que o episódio pode criar um novo foco de desgaste para o governo em meio à corrida eleitoral.

Nos bastidores, aliados do presidente demonstram preocupação com a possibilidade de a investigação enfraquecer uma das principais linhas de ataque utilizadas pela comunicação petista contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como potencial adversário na disputa presidencial. O caso envolve suspeitas relacionadas ao Banco Master, tema que vinha sendo explorado politicamente pelo PT após a divulgação de áudios nos quais o parlamentar buscava apoio financeiro junto ao empresário Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Parte do governo defende uma postura equilibrada diante da situação. A orientação seria manter apoio político ao senador baiano, mas reforçando o respeito às instituições, à condução das investigações e ao direito de defesa do parlamentar.

Apesar disso, integrantes da campanha presidencial admitem reservadamente que a operação faz ressurgir preocupações internas relacionadas ao chamado “caso Master”. A leitura é de que a investigação pode reduzir a eficácia de peças publicitárias direcionadas à família Bolsonaro e abrir espaço para contra-ataques por parte da oposição.

Mesmo com o cenário de incerteza, dirigentes do PT entendem que ainda é cedo para medir os reflexos da operação e defendem a continuidade da estratégia de desgaste político contra Flávio Bolsonaro.

Relação histórica com Lula amplia preocupação

O impacto político da investigação é considerado ainda mais sensível devido à forte ligação entre Jaques Wagner e Lula. Fundador do Partido dos Trabalhadores, o senador é visto como um dos conselheiros mais próximos do presidente e uma das poucas lideranças da legenda com liberdade para divergir do chefe do Executivo em discussões internas.

A confiança entre ambos ficou evidente em 2018, quando Lula, preso e impedido de disputar a Presidência, chegou a considerar Wagner como possível substituto na eleição daquele ano. O senador recusou a missão e assumiu a coordenação da campanha de Fernando Haddad.

Ao longo da trajetória política, Wagner também ocupou posições de destaque nos governos petistas, passando pelos ministérios do Trabalho, Relações Institucionais, Defesa e Casa Civil. Em 2005, teve papel relevante na articulação política do governo durante a crise do Mensalão.

Futuro político entra em debate

Pré-candidato à reeleição para o Senado, Jaques Wagner agora enfrenta questionamentos sobre possíveis efeitos eleitorais da operação. Nos bastidores, interlocutores do governo acreditam que Lula adotará cautela ao tratar do caso, considerando a longa parceria política entre ambos.

Há também integrantes da base governista que defendem o afastamento de Wagner da liderança do governo no Senado como forma de reduzir a pressão política. O senador, entretanto, já sinalizou que não pretende deixar o cargo.

Outro ponto de preocupação dentro do PT é a possibilidade de as investigações avançarem sobre o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Ex-governador da Bahia e pré-candidato ao Senado em 2026, ele administrava o estado durante o período de expansão das operações de crédito consignado ligadas ao Banco Master.

Quem é Jaques Wagner

Jaques Wagner é atualmente líder do governo federal no Senado e possui uma longa trajetória dentro do PT. Governou a Bahia entre 2007 e 2014 e integrou diferentes ministérios nos governos Lula e Dilma Rousseff.

Ele foi eleito senador em 2018 e disputa neste ano a renovação do mandato. Naquele mesmo ano, chegou a ser citado como possível substituto de Lula na eleição presidencial.

Também em 2018, Wagner foi alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada a suspeitas de propina envolvendo as obras da Arena Fonte Nova para a Copa do Mundo de 2014. A ação acabou sendo anulada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região no ano seguinte.

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