O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgada em 19 de maio. O levantamento indicava uma queda nas intenções de voto do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um cenário eleitoral.
A decisão foi tomada em caráter liminar pelo ministro Nunes Marques, presidente da Corte Eleitoral e relator do processo. A medida atende a uma representação apresentada pelo Partido Liberal (PL), que questionou a metodologia utilizada no estudo e alegou possível influência indevida sobre as respostas dos entrevistados.
Segundo a legenda, a formulação das perguntas e a sequência adotada no questionário teriam ultrapassado os limites de uma simples consulta de opinião pública, criando condições para direcionar a percepção dos participantes sobre o senador.
Ao analisar o caso, Nunes Marques apontou a existência de indícios que justificam uma apuração mais aprofundada sobre a regularidade da pesquisa. Entre os elementos observados pelo magistrado está a utilização de conteúdos relacionados a investigações e a reprodução de material em áudio durante a coleta de dados.
Na decisão, o ministro destacou que a suspensão temporária da divulgação não representa um reconhecimento definitivo de irregularidades, mas uma medida cautelar para evitar possíveis efeitos enquanto o mérito da ação é analisado.
De acordo com o entendimento preliminar do relator, há sinais de que o levantamento possa ter extrapolado os critérios tradicionais de aferição estatística ao incluir elementos que, em tese, poderiam influenciar a opinião dos entrevistados.
Outro ponto mencionado foi a comparação com pesquisas anteriores registradas pela própria AtlasIntel junto ao TSE. Conforme a decisão, dezenas de levantamentos realizados anteriormente pela empresa não utilizaram questionamentos semelhantes nem recorreram à veiculação de áudios durante as entrevistas.
Além de suspender a circulação da pesquisa nos canais oficiais da empresa, o ministro determinou que a AtlasIntel apresente documentação técnica complementar para esclarecer os procedimentos adotados, especialmente em relação ao uso do material sonoro. O Ministério Público Eleitoral também deverá se manifestar sobre o caso.
Entenda a controvérsia
A pesquisa questionada ganhou repercussão após apontar mudanças relevantes em uma simulação de segundo turno envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
Em um levantamento realizado anteriormente, ambos apareciam em situação de empate técnico. Na nova sondagem, divulgada em maio, Lula registrou crescimento nas intenções de voto, enquanto Flávio apresentou recuo de aproximadamente seis pontos percentuais.
Ao recorrer ao TSE, o Partido Liberal sustentou que a estrutura do questionário e a associação de temas envolvendo o senador e o empresário Daniel Vorcaro teriam comprometido a neutralidade da pesquisa, afetando a confiabilidade dos resultados divulgados.
O caso seguirá em análise na Justiça Eleitoral, que ainda deverá avaliar o mérito da ação e decidir se a suspensão será mantida ou revertida após a apresentação das informações solicitadas.