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PL firma contrato de R$ 600 mil com ONG presidida por aliado político

Por Brasil Direto

O Partido Liberal (PL) destinou R$ 600 mil do fundo partidário para a contratação da ONG Passos da Liberdade, presidida pelo pré-candidato a deputado estadual Rodrigo Cassol Lima, no Rio Grande do Sul. Conforme documentos fiscais obtidos pela reportagem, o contrato previa a prestação de serviços de comunicação institucional e produção audiovisual voltados ao estado de Minas Gerais.

Os pagamentos foram realizados entre janeiro e abril deste ano, em parcelas mensais de R$ 150 mil. Apesar de estar sediada em Porto Alegre, a entidade foi contratada para desenvolver ações de assessoria em comunicação e produção audiovisual para o partido em território mineiro.

Paralelamente ao contrato com o PL, a organização está à frente da produção do documentário “Nós”, obra dedicada a abordar regimes comunistas autoritários. O projeto conta com R$ 860 mil em recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas pelos deputados federais Mario Frias (PL-SP) e Marcos Pollon (PL-MS), além do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A estreia está prevista para o dia 15 de julho, em Brasília.

Criada em 2023 e registrada como associação voltada à defesa de direitos sociais, a Passos da Liberdade possui perfil conservador. O documentário, inicialmente intitulado “Genocidas”, reúne gravações realizadas em países como Polônia, Alemanha, República Tcheca e Hungria, com foco em experiências de regimes comunistas na Europa após a Segunda Guerra Mundial.

A direção do filme é assinada por Gustavo Lopes, ex-secretário nacional do Audiovisual no governo Jair Bolsonaro. Rodrigo Cassol Lima participa como coprodutor e responsável pela área jurídica da produção. O roteiro também conta com a colaboração de Doriel Francisco, proprietário da Dori Filmes, produtora responsável pelo documentário “A Colisão dos Destinos”, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro.

Segundo os responsáveis pelo projeto, o filme “Nós” não possui relação com o ex-presidente nem aborda sua trajetória.

Em nota, a Passos da Liberdade confirmou a existência do contrato firmado com o PL e afirmou que o acordo envolve exclusivamente a prestação de serviços de comunicação institucional, sem qualquer vínculo com atividades eleitorais.

“A contratação tem natureza institucional e não se confunde com pré-campanha, campanha eleitoral, propaganda eleitoral ou promoção pessoal de qualquer dirigente da entidade”, informou a organização.

A ONG também afirmou que Rodrigo Cassol Lima não recebe remuneração ou benefício pessoal decorrente do contrato e destacou que a prestação de serviços não possui relação com projetos financiados pelo Ministério da Cultura.

Outro esclarecimento apresentado pela entidade diz respeito ao filme “Dark Horse”, produção que recentemente gerou repercussão política envolvendo o senador Flávio Bolsonaro. Segundo a Passos da Liberdade, não há qualquer ligação entre os dois projetos.

“São iniciativas distintas, com objetos, fontes, finalidades e regimes próprios”, declarou a associação.

A organização acrescentou que não pode divulgar detalhes do contrato firmado com o partido por existir cláusula de confidencialidade.

“Por força de cláusula de confidencialidade, a associação está impedida de comentar detalhes sobre o conteúdo, formato, estratégia, cronograma ou demais elementos internos do produto contratado”, informou.

Em nota final, a entidade afirmou atuar dentro da legalidade e manter separação entre seus diferentes projetos e obrigações institucionais.

Procurada pela reportagem desde a última sexta-feira (26), a direção nacional do PL não se pronunciou até a publicação da matéria.

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