Restauradora e preparadora, a britânica Theon Design revelou sua mais recente criação feita por encomenda, um Porsche 911 baseado na clássica geração 964. O projeto aposta em uma carroceria quase inteiramente de fibra de carbono para conter o peso, entregando um desempenho que supera até mesmo a atual geração do 911 GT3 (992.2) na relação peso-potência.
A exclusividade, porém, tem deu custo: o esportivo parte de £ 430.000, cerca de R$ 2.967.000 em conversão direta (sem contar os impostos e o carro doador, usado como ponto de partida para o projeto).
Motor aspirado e suspensão inteligente

O cupê esconde na traseira um motor seis cilindros boxer 4.0 aspirado, que entrega 427 cv e 44,8 kgfm de torque. O conjunto é gerenciado por um sistema de injeção da MoTeC, com coletores revestidos em carbono e um sistema de aceleração eletrônica ajustável pelo motorista. A proposta tenta conciliar uso dócil na cidade com desempenho de pista, além de oferecer o modo Raucus, que eleva o aerofólio e força ruidosos estouros no escapamento.

A suspensão semiativa TracTive tem cinco estágios de rigidez e calibração exclusiva, garantindo previsibilidade dinâmica. O esforço na redução de peso resulta em apenas 1.146 kg totais, rendendo impressionantes 2,68 kg/cv, índice ligeiramente melhor que os 2,81 kg/cv do atual Porsche 911 GT3.

O pacote mantém a fidelidade analógica com tração apenas traseira e câmbio manual de seis marchas. A marca só não abriu mão das portas de aço originais para preservar a sensação e o barulho característicos ao fechar um 911 clássico.
Fibra de carbono e acréscimos tecnológicos

As mudanças visuais são controladas, mas a pintura em Cinza Crayon contrasta diretamente com detalhes em Verde Lizard nas pinças de freio, que se escondem nas rodas aro 17. O interior segue a mesma lógica e utiliza estrutura de fibra de carbono combinada a revestimentos de couro escuro e costuras verdes. Os bancos Recaro RS reforçam o suporte para curvas fechadas, enquanto os instrumentos combinam com a paleta externa.
A tecnologia de cabine se faz presente sem parecer defasada. O painel limpo integra um rádio que emula o clássico Becker Mexico, mas agora opera associado a um amplificador Hertz e alto-falantes da Focal. Um console central fino feito de carbono abriga o carregador de celular por indução.
Nicho de altíssimo padrão

A produção do esportivo não passará de seis unidades em 2026, com cada exemplar exigindo cerca de 6.000 horas de trabalho em Oxfordshire, no Reino Unido. Com um valor que facilmente passaria dos R$ 7 milhões se importado legalmente para o Brasil, o modelo briga em uma categoria distante dos carros de rua tradicionais.
A empresa atua em um segmento hoje dominado por nomes como Singer e Gunther Werks, mirando colecionadores que já têm as garagens cheias, mas sentem falta da experiência mecânica e visceral que a indústria abriu mão.