Uma nova ofensiva de grande escala realizada pela Rússia deixou ao menos 22 mortos e mais de 100 feridos em diferentes regiões da Ucrânia entre a noite de segunda-feira (1º) e a madrugada desta terça-feira (2). Os ataques atingiram principalmente Kiev e Dnipro e envolveram centenas de drones e dezenas de mísseis balísticos, segundo autoridades ucranianas.
De acordo com as Forças Armadas da Ucrânia, Moscou lançou 656 drones e 73 mísseis durante a operação. A defesa aérea informou ter interceptado 602 drones e 40 mísseis antes que atingissem seus alvos.
Na capital Kiev, explosões foram registradas em diversos pontos da cidade após o acionamento das sirenes de alerta. Moradores buscaram abrigo em estações de metrô e locais subterrâneos enquanto equipes de emergência eram mobilizadas para atender as ocorrências.
Entre os locais atingidos está um edifício residencial de 24 andares, que sofreu colapso parcial após ser alcançado por um míssil, segundo informou o prefeito Vitali Klitschko. Equipes de resgate continuaram as buscas por possíveis vítimas sob os escombros.
Outros bairros da capital também registraram incêndios em prédios, áreas abertas e veículos atingidos por fragmentos de mísseis. Em uma das ocorrências, destroços provocaram focos de incêndio próximos a uma creche.
Em Dnipro, no leste do país, pelo menos nove pessoas morreram, incluindo uma criança. O ataque também deixou dezenas de feridos e causou danos em edifícios residenciais.
A ofensiva alcançou ainda outras cidades ucranianas. Em Odessa, uma maternidade foi atingida, embora não tenham sido registradas vítimas entre pacientes e funcionários. Já na região de Kharkiv, no nordeste do país, bombardeios deixaram ao menos seis feridos, entre eles uma menina de 11 anos.
Diante da escalada dos ataques, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, voltou a pedir apoio internacional, especialmente dos Estados Unidos. O líder ucraniano destacou a necessidade de reforço nos sistemas de defesa aérea e pediu o envio de mais mísseis para os equipamentos Patriot.
Horas depois, Zelenski alertou a população para a possibilidade de novos bombardeios durante a noite e pediu atenção aos avisos de emergência.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que a operação teve como alvo instalações consideradas estratégicas para as forças ucranianas em Kiev e em outras regiões do país, incluindo estruturas ligadas à energia e ao transporte militar.
A ofensiva provocou reação internacional. O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou os ataques e reforçou que ações contra civis e infraestrutura civil violam o direito humanitário internacional.
A nova escalada ocorre após Moscou anunciar que intensificaria suas operações contra alvos ligados ao governo e às Forças Armadas da Ucrânia. O conflito entre os dois países já ultrapassa quatro anos desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, sem avanços significativos nas tentativas de negociação para encerrar a guerra.