A União Europeia reagiu nesta quarta-feira (3) ao anúncio dos Estados Unidos sobre a possível aplicação de novas tarifas comerciais e classificou a medida como sem justificativa adequada. A proposta foi apresentada após uma investigação norte-americana relacionada à importação de produtos associados ao trabalho forçado.
Na terça-feira (2), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) informou que pretende adotar uma tarifa adicional de 10% sobre produtos importados da União Europeia e de outras cinco economias. Segundo o órgão, a medida é motivada pela suposta falta de mecanismos eficazes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
O relatório também prevê uma taxa ainda maior, de 12,5%, para um grupo de 54 economias, entre elas China e Índia.
Em resposta, o porta-voz de Comércio da União Europeia, Olof Gill, afirmou que o bloco examinará cuidadosamente as conclusões da investigação conduzida pelos Estados Unidos e continuará mantendo diálogo com a administração do presidente Donald Trump sobre o tema.
“Ainda assim, a UE considera que tarifas impostas com base nesses fundamentos são injustificadas”, afirmou.
Gill ressaltou que o bloco europeu compartilha das preocupações relacionadas à erradicação do trabalho forçado e destacou que a União Europeia mantém iniciativas voltadas ao combate dessa prática nas cadeias globais de produção.
“Como deixamos claro de forma consistente ao longo desse processo, a UE compartilha plenamente as preocupações dos EUA com o trabalho forçado e continua totalmente comprometida em erradicá-lo das cadeias globais de suprimentos por meio de ações concretas.”
A proposta norte-americana ainda será analisada e poderá gerar novas discussões comerciais entre Washington e seus principais parceiros econômicos nos próximos meses.