O surto de ebola no leste da República Democrática do Congo já provocou 438 mortes, segundo atualização divulgada pelo governo do país. As autoridades também registram 1.406 casos confirmados da doença na região.
De acordo com o boletim mais recente do Ministério da Comunicação, com dados consolidados até 30 de junho, a taxa de letalidade está em 31,2%. No momento, 609 pacientes permanecem internados ou em isolamento para acompanhamento médico.
O relatório divulgado na quarta-feira à noite informa ainda que 192 pessoas conseguiram se recuperar. Já o monitoramento de contatos próximos aos infectados alcança 82,5% de cobertura, segundo os dados oficiais.
O governo de Kinshasa afirma que tem ampliado as ações de resposta ao surto, com envio de ambulâncias e veículos, reforço no fornecimento de medicamentos e equipamentos de proteção, além de campanhas de orientação e mobilização nas comunidades afetadas.
Apesar das medidas, o Instituto Nacional de Saúde Pública da República Democrática do Congo alerta para dificuldades persistentes, especialmente na prevenção, no acesso aos serviços de saúde e na identificação de novos casos em áreas ainda não mapeadas. O órgão também destaca que a expansão geográfica da doença exige investigações mais aprofundadas.
O surto foi declarado oficialmente em 15 de maio, na província de Ituri, região que faz fronteira com Uganda e Sudão do Sul. Desde então, a doença se espalhou para as províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, também no leste do país.
Fora do território congolês, Uganda registrou casos relacionados ao surto, com 20 infecções confirmadas, sendo 15 associadas à República Democrática do Congo. O país vizinho também contabiliza duas mortes. Já na Europa, a França confirmou o primeiro caso em um médico que retornou de uma missão na região afetada.
A epidemia é causada pela variante Bundibugyo do vírus ebola, que apresenta taxa de mortalidade estimada entre 30% e 50%. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe vacina aprovada nem tratamento específico para essa cepa.
A OMS avalia que o risco de disseminação é elevado na África Subsaariana, mas considera baixo o risco global. A organização também informou que a circulação do vírus pode ter começado em Ituri cerca de dois meses antes da confirmação oficial do surto.
Em 17 de maio, o órgão declarou a situação como emergência de saúde pública de importância internacional.
Este é o terceiro maior surto de ebola já registrado. O mais grave ocorreu na África Ocidental entre 2014 e 2016, com cerca de 11 mil mortes e 28 mil casos. Já no próprio leste do Congo, entre 2018 e 2020, outro surto resultou em 2.299 mortes e 3.481 infecções.
O ebola é transmitido pelo contato direto com sangue e outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. A doença pode provocar febre hemorrágica grave, vômitos, diarreia e hemorragias internas.