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Haddad escolhe Ribeirão Preto para lançar pré-candidatura ao governo de SP

Por Brasil Direto

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O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad prepara o lançamento de sua pré-candidatura ao Governo de São Paulo em Ribeirão Preto, a 313 km da capital. A escolha da cidade é vista como uma estratégia para aproximar o petista do eleitorado do interior paulista, historicamente mais resistente ao PT.

A movimentação marca ainda uma mudança simbólica: pela primeira vez, o partido deve realizar sua convenção estadual fora da capital. O evento, exigido pela legislação eleitoral, está previsto para o dia 25 de julho.

A data escolhida coincide com a convenção da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência, marcada para ocorrer em São Paulo. Já o governador Tarcísio de Freitas deve oficializar sua candidatura à reeleição em 1º de agosto, no Ginásio do Ibirapuera.

Segundo integrantes da campanha, Haddad teria defendido a realização do evento no interior e separado da convenção que oficializará a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevista para 2 de agosto.

A aposta no interior se apoia na leitura de que “é o interior quem elege o governador”. Em 2022, Haddad venceu na capital paulista com 54,41% dos votos, enquanto Tarcísio obteve 45,59%. No entanto, o cenário se inverte no conjunto do estado: Tarcísio foi eleito com 55,27% contra 44,73% do petista. Em Ribeirão Preto, o atual governador teve vantagem mais ampla, com 59,56%, ante 40,44% de Haddad.

Dentro do PT, Ribeirão Preto é tratada como uma espécie de síntese do eleitorado do interior paulista. A cidade, com cerca de 698 mil habitantes, é um dos principais polos econômicos do estado e sede da Agrishow, maior feira do agronegócio do país — evento frequentemente associado a agendas políticas da direita.

Nos últimos anos, a feira se tornou ponto de encontro de lideranças bolsonaristas. O ex-presidente Jair Bolsonaro participou de diversas edições entre 2018 e 2024, e seu filho Flávio esteve no evento neste ano ao lado de Tarcísio de Freitas. Lula, por sua vez, costuma ser representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, e é alvo frequente de críticas da oposição no local.

Apesar desse cenário, a campanha de Haddad afirma ter identificado uma redução na vantagem de Tarcísio no interior, com base em levantamentos internos. Entre os fatores apontados estão insatisfações de prefeitos com a gestão estadual e demandas da população em áreas como saúde, saneamento e educação.

Nas últimas semanas, o ex-ministro intensificou agendas pelo estado com o objetivo de mapear essas demandas e fortalecer sua candidatura como parte da estratégia de apoio à reeleição de Lula em 2026.

O plano da campanha é construir um palanque competitivo em São Paulo, considerado decisivo para o desempenho nacional do PT. Em 2018, Haddad recebeu 7,2 milhões de votos no estado; em 2022, Lula ampliou esse número para 11,5 milhões.

Com a saída de adversários como Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (Missão), a avaliação interna é de que a disputa pode se concentrar entre Haddad e Tarcísio já no primeiro turno. Em março, pesquisa Datafolha indicava o governador com 44% das intenções de voto, contra 31% do petista.

A estratégia do PT também considera o peso do interior no resultado final. Em eleições anteriores, Bolsonaro venceu com ampla vantagem em Ribeirão Preto — 72,27% em 2018 e 59,62% em 2022 — o que reforça a avaliação de resistência local ao campo petista.

Para aliados de Haddad, o cenário ainda indica espaço para crescimento da candidatura no interior paulista.

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