O novo Alpine A110 elétrico fará sua estreia em público no Festival de Goodwood. Com apresentações marcadas para a segunda semana de julho, na Inglaterra, a marca exibe o A110 Future, um protótipo de desenvolvimento que antecipa o primeiro esportivo a bateria da fabricante francesa. O modelo muda totalmente de plataforma para provar que é possível eletrificar um cupê sem destruir a dinâmica e o baixo peso que fizeram a fama de seu antecessor a combustão.
A transição exigiu um projeto criado do zero. Em vez de utilizar plataformas genéricas emprestadas de modelos da Renault, como ocorre com os A290 e A390, a fabricante precisou justificar o pesado investimento em uma base exclusiva para manter o foco no motorista. O resultado é a plataforma APP (Alpine Performance Platform), construída em alumínio. Essa arquitetura tenta resolver a incômoda equação de volume e peso das baterias, dividindo os módulos em dois pacotes separados para equilibrar o peso e preservar a silhueta baixa da carroceria.
Apesar da virada elétrica iminente, o executivo-chefe da fabricante, Philippe Krief, confirmou uma flexibilidade do projeto. A nova plataforma do cupê também foi desenhada desde o início para acomodar motores a combustão, caso a demanda direcione para esse caminho.
Engenharia elétrica e comportamento dinâmico
A montagem das baterias acomoda a maior parte da sua massa atrás dos bancos do motorista e do passageiro, enquanto o restante vai acomodado na seção dianteira. O formato garante uma distribuição de peso de 40% na frente e 60% na parte traseira, repetindo intencionalmente a sensação de condução de um carro com motor central.
O sistema elétrico é baseado na arquitetura de 800 volts e foca na densidade das células no estilo pacote fechado para poupar espaço interno. A propulsão aposta em um eixo traseiro equipado com dois motores nas rodas e um inversor de carbeto de silício, componente essencial que diminui perdas de calor e entrega o fornecimento de energia de maneira mais responsiva.

O acerto dinâmico nas curvas depende da vetorização de torque ativa, que altera eletronicamente o envio de força para cada roda traseira em intervalos de apenas 10 milissegundos. A suspensão e os braços de controle também são fabricados em peças de alumínio, e os sistemas de freio e direção operam completamente integrados à central de gerenciamento do esportivo.
Com todas essas soluções somadas, a meta da engenharia é cravar o peso na casa de 1.450 kg para a versão final de produção. O valor empata com a massa de um atual Porsche Cayman GT4 RS movido a gasolina, mas para a realidade de um carro a bateria, representa um controle de peso exemplar. O alcance projetado pelos executivos supera a marca de 563 km de autonomia.
Crescimento de linha e rivais alemães
Visualmente, o protótipo que estará presente no festival ainda esconde seu formato definitivo. O carro roda usando painéis deformados e esticados do modelo a gasolina atual apenas para cobrir as proporções reais do chassi.
A apresentação da versão definitiva deve ocorrer em outubro, durante os dias de imprensa do Salão de Paris, mas o lançamento oficial nas concessionárias europeias fica para 2027. Na sequência, a família do cupê vai crescer com a chegada do modelo Spyder, uma opção conversível com lançamento esperado para 2028, além de fortes especulações sobre inéditas configurações de tração integral.
Essa ofensiva de produtos serve como ensaio para um movimento mais ambicioso do grupo francês. Além das variações de entrada, a mesma plataforma será usada para ressuscitar o nome A310, que retornará ao mercado como um esportivo com configuração de assentos 2+2. O alvo primário da montadora não é segredo, já que a marca mira a base de clientes do atual Porsche 911. O sucesso e o financiamento dessa linhagem, no entanto, dependem das vendas do futuro A390, um utilitário esportivo elétrico que entrega 470 cv de potência e atua como a necessária opção de volume da fabricante.