Braskem fecha acordo bilionário com Alagoas por desastre em Maceió

A empresa informou ainda que o montante das parcelas poderá variar conforme sua capacidade financeira ao longo dos anos

A Braskem firmou um novo acordo com o governo de Alagoas para compensar financeiramente os danos provocados pelo afundamento do solo em diversos bairros de Maceió. O valor pactuado chega a R$ 1,2 bilhão e será quitado em parcelas anuais ao longo de uma década — sendo que R$ 139 milhões já foram pagos. A empresa anunciou o compromisso em um comunicado aos investidores na noite de segunda-feira (10).

Em nota oficial, a companhia declarou que “a celebração do acordo representa um significativo e importante avanço para a Braskem em relação aos impactos decorrentes do evento geológico em Alagoas”. A empresa informou ainda que o montante das parcelas poderá variar conforme sua capacidade financeira ao longo dos anos.

O entendimento, que ainda depende de homologação judicial, prevê o encerramento do processo movido pelo governo estadual contra a Braskem. Até o momento, a gestão de Alagoas não se pronunciou sobre o assunto.

Apesar do anúncio, o Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) criticou duramente o acordo, classificando-o como “vergonhoso”. Segundo o diretor do grupo, Maurício Sarmento, o valor está muito abaixo da estimativa feita pelo próprio Estado, que calculava os prejuízos em torno de R$ 30 bilhões. Ele afirmou que “enquanto isso, o povo arcará com uma conta de R$ 5 bilhões, valor que o governo pretende investir na reestruturação da Grande Maceió, uma despesa que deveria ser integralmente custeada pela criminosa Braskem”.

O colapso de uma das minas de sal-gema exploradas pela empresa, em 2023, agravou ainda mais os impactos ambientais e habitacionais na capital alagoana, forçando a evacuação de bairros inteiros como Mutange, Bebedouro e Bom Parto. O episódio foi considerado o ponto mais crítico de uma crise que já se arrastava há anos.

Naquele mesmo ano, a Braskem havia celebrado um outro acordo de R$ 1,7 bilhão com a Prefeitura de Maceió para custear indenizações e compensar os prejuízos decorrentes da desocupação.

A notícia do novo acerto financeiro teve reflexo imediato no mercado: na terça-feira (11), as ações da empresa registraram alta superior a 18%, impulsionadas também pela expectativa de saída da Novonor (antiga Odebrecht) de seu quadro acionário.