Indicação ao STF e racha na Câmara alimentam crise entre governo e Congresso

A afirmação intensificou o clima já desgastado entre o governo e o Legislativo

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou à Folha de S.Paulo que rompeu sua relação com o líder do PT na Casa, Lindbergh Farias (RJ), afirmando que “não tem mais interesse em manter qualquer vínculo” com o petista. A afirmação intensificou o clima já desgastado entre o governo e o Legislativo, num momento em que o Planalto também enfrenta tensões no Senado.

Aliados de Motta relatam que o grupo do presidente da Câmara vinha se irritando com a postura de Lindbergh, acusado de adotar um tom agressivo em debates e de tentar expor a Câmara negativamente ao público. Também há queixas de que o deputado estaria atuando como se fosse porta-voz do governo, ultrapassando os limites de sua liderança partidária.

Lindbergh rebateu dizendo que a reação de Motta foi “imatura”, lembrando que “política não é um clube de amigos” e que sempre deixou claras suas posições. Ele mencionou ainda episódios recentes, como a votação do IOF e a escolha do relator do projeto antifacção, como sinais da instabilidade interna da Câmara.

O desgaste se ampliou com a tramitação da proposta antifacção, relatada pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP) — aliado de Tarcísio de Freitas e potencial adversário do PT em 2026. A decisão irritou o governo, que tentou barrar o texto, mas acabou derrotado. A matéria agora segue para o Senado.

Parlamentares do centrão avaliam que o relacionamento entre o Planalto e a Câmara vive um dos piores momentos da gestão, citando acordos descumpridos e baixa execução de recursos. Embora aliados de Motta neguem ruptura com a ministra Gleisi Hoffmann, admitem que a relação foi abalada. O líder do governo, José Guimarães (PT-CE), tem atuado para tentar reduzir as tensões.

Motta chegou à presidência da Câmara com apoio que ia do PT ao PL, após articulação que contou com Lindbergh e Gleisi. Desde então, porém, o vínculo entre o governo e a Casa tem sido marcado por atritos, como a derrubada de decretos e a rejeição de medidas provisórias. A crise política se intensifica enquanto o governo enfrenta também ruídos com o Senado, agravados pela indicação de Jorge Messias ao STF, contrariando parte da cúpula da Casa.