O governo do Irã declarou nesta segunda-feira (12) que mantém “controle total” sobre a situação interna, após a intensificação da violência nos protestos ocorridos durante o fim de semana. A afirmação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, em meio a pressões internacionais crescentes e novas ameaças de ação militar por parte dos Estados Unidos.
Araqchi acusou que as advertências do presidente americano, Donald Trump, que condicionou uma possível intervenção à intensificação da repressão, teriam estimulado “terroristas” a atacar manifestantes e forças de segurança, numa tentativa de criar justificativa para uma ação externa. “Estamos preparados para a guerra, mas também abertos ao diálogo”, afirmou o chanceler, indicando que Teerã não descarta negociações diplomáticas.
O ministro também anunciou que o serviço de internet, interrompido em grande parte do país desde a última quinta-feira, será gradualmente restabelecido em coordenação com autoridades de segurança. Organizações independentes de monitoramento digital apontam que o bloqueio já ultrapassa 80 horas, dificultando a verificação independente do número de mortos e presos.
Do lado americano, Trump reforçou seu tom duro. Na sexta-feira (9), declarou na Casa Branca que os EUA poderiam intervir caso o regime iraniano começasse a “matar pessoas” durante os protestos. “Vamos atingir onde mais dói”, afirmou, garantindo acompanhamento próximo dos acontecimentos. No sábado, ele repetiu as ameaças, acrescentando que os iranianos estariam “buscando liberdade” e que os norte-americanos estariam “prontos para ajudar”.
No domingo (11), Trump disse ainda que o Irã teria entrado em contato com Washington para discutir um possível acordo nuclear, em meio à crise interna. Segundo ele, há negociações iniciais para uma reunião, mas alertou que uma ação militar poderia ocorrer antes, caso aumentem mortes e detenções. Araqchi, no entanto, não comentou sobre eventuais negociações.
A tensão ocorre em um contexto já marcado por disputas nucleares. Em 2017, Trump retirou os EUA do acordo que limitava o programa nuclear iraniano em troca do fim de sanções econômicas. Desde então, o Irã retomou o enriquecimento de urânio acima dos níveis permitidos para geração de energia. Em junho de 2025, instalações de pesquisa nuclear iranianas foram atacadas pelos EUA, em meio ao conflito envolvendo Teerã e Israel.
Organizações de direitos humanos relatam uma situação grave. A HRANA, sediada nos EUA, estima pelo menos 538 mortos — incluindo 490 manifestantes e 48 policiais — e mais de 10,6 mil detidos. Outras ONGs denunciam o uso de munição real contra protestos. O governo iraniano não divulga números oficiais regularmente e acusa Estados Unidos e Israel de fomentarem a violência nos atos.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu à população que se afaste de “terroristas e baderneiros” e declarou estar disposto a ouvir reivindicações sociais, enquanto acusa Washington e Tel Aviv de “semear o caos”. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, alertou que qualquer ataque ao Irã seria respondido com retaliações a Israel e a bases militares americanas no Oriente Médio.
Nos bastidores, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, discutiu a situação iraniana com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, segundo informações da Reuters. Enquanto isso, a internet permanece parcialmente bloqueada, ampliando o isolamento do país durante a maior onda de protestos desde 2009 e aumentando o risco de escalada internacional.