Paes prepara saída da prefeitura e mira Governo do Rio

Paes planeja deixar a prefeitura em março para disputar o Governo do Estado.

Ao longo de 2025, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), manteve publicamente o compromisso de cumprir seu quarto mandato até 2028. Nos bastidores, no entanto, o cenário político se movimentava de maneira diferente: um ato falho e comentários jocosos de aliados começaram a revelar suas intenções reais.

Paes planeja deixar a prefeitura em março para disputar o Governo do Estado. A movimentação ocorre em meio a incertezas na política fluminense, incluindo o andamento de investigações da Polícia Federal e a possibilidade de uma eleição indireta, caso o governador Cláudio Castro (PL) renuncie para concorrer ao Senado.

Durante o ano passado, o prefeito se empenhou em organizar a transição para o vice, Eduardo Cavaliere (PSD), buscando garantir estabilidade e tranquilidade aos aliados. Cavaliere passou a participar de reuniões estratégicas e de anúncios importantes da gestão, sinalizando um processo de transição gradual e coordenado.

Paralelamente, Paes começou a projetar sua candidatura. Em viagens ao interior, adotou o chapéu de vaqueiro, substituindo o tradicional panamá que usa na cidade do Rio, e intensificou ações voltadas à segurança pública e à mobilidade urbana, como a construção de terminais de corredores de ônibus na Baixada Fluminense — região estratégica para ampliar sua base eleitoral.

O prefeito também mantém conversas com MDB e PP para atrair aliados de Cláudio Castro, buscando fortalecer sua presença no interior do estado e evitar associação direta com o PT e o presidente Lula, considerando o perfil majoritariamente bolsonarista do eleitorado fluminense. Entre os nomes cotados para vice está Rogério Lisboa (PP), ex-prefeito de Nova Iguaçu, embora a definição deva ocorrer apenas em meados do ano.

O cenário político estadual segue instável. O afastamento do deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil) — um dos nomes mais fortes para a sucessão de Castro —, após decisão do STF sobre suspeita de vazamento de informações, reabriu o debate sobre quem assumirá interinamente o governo em março. Paes acompanha essas discussões, mas não pretende indicar um candidato. O secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, é considerado opção de transição, embora cercado de desconfiança.

Dentro da prefeitura, Paes tem delegado gradualmente a gestão diária a Cavaliere. Um episódio emblemático ocorreu durante a divulgação do Plano Estratégico 2025–2028 no Parque Olímpico da Barra, quando Paes cometeu um ato falho: mencionou que Cavaliere “tiraria dele a marca de prefeito mais jovem da história do Rio”, referindo-se à assunção interina, antes de tentar minimizar o comentário.

Além disso, uma declaração jocosa de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, reforçou a percepção de que o prefeito já considerava a candidatura: “Mas você sabe que ele é mentiroso, né?”, comentou ao se referir à resistência de Paes em assumir publicamente a disputa pelo governo.

Aliados avaliam que esses episódios não trarão desgaste político significativo. Pesquisas internas indicam que a população deseja que Paes concorra ao governo do estado, considerando a crise financeira e os problemas de segurança pública enfrentados pelo Rio.