O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), revelou nesta segunda-feira (19) que o governo estuda ampliar as funções de fiscalização do Banco Central, transferindo a supervisão de fundos de investimento atualmente realizada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para a autoridade monetária.
“Apresentei uma proposta que está sendo discutida no Executivo de ampliar o perímetro regulatório do Banco Central”, afirmou Haddad em entrevista ao UOL News. “O Banco Central precisa passar a fiscalizar os fundos.”
O ministro ressaltou que a ideia ainda está em discussão e não reflete necessariamente a posição oficial do governo. Entre os envolvidos nas análises estão o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o Ministério da Gestão e Inovação.
“Tem muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e está no âmbito da CVM, equivocamente”, acrescentou Haddad.
O movimento ocorre em meio a suspeitas de uso de fundos de investimento para práticas ilícitas. Em agosto de 2025, a Receita Federal deflagrou a operação Carbono Oculto, investigando a infiltração do crime organizado na economia formal por meio de fundos que ocultavam patrimônio.
Em janeiro de 2026, surgiram denúncias sobre a manipulação de fundos ligados ao Banco Master, utilizados para inflar artificialmente ativos da instituição. Um exemplo citado é de um armarinho com capital social de R$ 100 que teria se transformado, de forma suspeita, em uma empresa de crédito de carbono avaliada em R$ 31 bilhões.
Haddad também elogiou a atuação do Banco Central no caso do Banco Master, destacando o trabalho de Galípolo:
“O presidente nomeado pelo governo anterior [Roberto Campos Neto] trabalhou o tempo inteiro para sabotar esse governo. O problema do Banco Master foi constituído na gestão anterior. Não cresceu nesse ano em que o Galípolo descascou o abacaxi, […] resolvendo com grande competência”, disse.
O ministro citou ainda outros desafios herdados pela atual gestão, como a desancoragem das expectativas, possíveis falas de Campos Neto sobre a desvalorização do real, e a supervisão das fintechs, que tinham regras de fiscalização previstas apenas para 2029.
Questionado sobre críticas do mercado quanto ao cumprimento das regras fiscais, Haddad afirmou:
“Está faltando honestidade com número. Bolsonaro entregou o orçamento com déficit de 1,6% do PIB e, considerando o déficit de 0,48% em 2025, houve redução de 70% no nível de endividamento anual.”
Sobre o futuro, o ministro prevê a aprovação ainda este ano de regulamentações sobre inteligência artificial e do Redata, pacote de incentivos para instalação de data centers no país. Ele também comentou que propostas mais sensíveis, “que mexem com o bolso dos super-ricos”, não estarão na pauta de 2026.
Quanto a um eventual Ministério da Segurança Pública, Haddad disse que o presidente Lula condicionou a criação da pasta à aprovação da PEC da Segurança.