O governo brasileiro está avaliando com cautela se aceitará o convite dos Estados Unidos para integrar o Conselho de Paz, proposto pelo presidente Donald Trump. A decisão ainda depende de consultas a outros países convidados e de uma análise coordenada sobre os impactos políticos e jurídicos internacionais.
Segundo fontes do governo, o ideal seria buscar uma posição conjunta com outras nações, de forma a evitar exposição desnecessária e possíveis retaliações. Até o momento, países como a França já recusaram oficialmente a participação, enfrentando advertências econômicas de Trump.
O Conselho de Paz integra a segunda fase do plano dos EUA para o fim do conflito entre Israel e Hamas, mas também deve tratar de outros temas relacionados a crises internacionais. O convite brasileiro foi recebido por Lula na sexta-feira (18), e o governo deve usar os próximos dias para avaliar cenários antes de definir sua posição.
Além do Brasil, Trump convidou líderes e chefes de Estado de cerca de 60 países, incluindo Argentina, Rússia, Alemanha, Turquia, Egito e Polônia. O órgão teria mandatos de três anos, baseados em contribuições voluntárias, e países que aportarem ao menos US$ 1 bilhão garantiriam assentos permanentes.
A iniciativa já recebeu críticas de Israel e não teve coordenação prévia com Tel Aviv, gerando preocupação sobre o possível enfraquecimento do Conselho de Segurança da ONU. Entre os primeiros nomes anunciados para compor o grupo estão Marco Rubio, Tony Blair, Jared Kushner, Ajay Banga e Robert Gabriel.
O governo brasileiro também considera que uma eventual recusa ao convite não deve afetar relações bilaterais com os EUA, destacando que é possível separar questões internacionais de temas estratégicos entre os países.