Michelle Bolsonaro detalha saúde do ex-presidente a Alexandre de Moraes

Na semana passada, Michelle Bolsonaro conversou a sós com Moraes

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro têm intensificado esforços junto a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na expectativa de obter a concessão de prisão domiciliar humanitária, baseada na situação de saúde do ex-presidente. A expectativa recai especialmente sobre a perícia médica determinada pelo relator do caso, Alexandre de Moraes.

Na semana passada, Michelle Bolsonaro conversou a sós com Moraes. Segundo relatos, o encontro foi cordial, mas o ministro não deu qualquer garantia sobre a decisão. Ele afirmou que analisaria as informações médicas e que o caso seguiria os prazos da Justiça. Durante a conversa, Michelle detalhou a queda sofrida por Bolsonaro na superintendência da Polícia Federal, os desencontros de informações recebidas pela família e todos os medicamentos que ele utiliza, incluindo os efeitos colaterais e o risco de novas quedas.

A ex-primeira-dama questionou Moraes sobre a possibilidade de conceder a Bolsonaro o mesmo benefício dado ao ex-presidente Fernando Collor em 2025, quando recebeu prisão domiciliar por risco de saúde. Moraes respondeu que Collor apresentava Parkinson e risco de queda, e ouviu detalhadamente os relatos de Michelle sobre Bolsonaro, inclusive sobre o episódio em que ele violou a tornozeleira eletrônica em novembro.

Além de Moraes, outros ministros têm sido procurados por aliados do ex-presidente, entre eles Edson Fachin, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. Parlamentares e governadores, como Tarcísio de Freitas, também participaram da mobilização. Segundo um aliado, “todo mundo está falando com todo mundo” para reforçar a percepção de gravidade da saúde do ex-presidente.

A decisão do STF é aguardada com cautela, devido à repercussão política e ao risco de responsabilização da Corte em caso de agravamento do estado de saúde de Bolsonaro. A expectativa de prisão domiciliar aumentou após a realização da perícia médica e a transferência do ex-presidente para o batalhão da Polícia Militar conhecido como Papudinha, em Brasília.

Enquanto isso, Michelle Bolsonaro precisou adiar compromissos do PL Mulher, incluindo uma viagem ao Tocantins, em razão da situação atual enfrentada pelo ex-presidente e pela própria liderança partidária.