A corretora de imóveis Daiane Alves dos Santos, de 43 anos, assassinada em Caldas Novas (GO), já havia recorrido oficialmente ao Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Goiás (Creci-GO) meses antes de morrer. Em maio de 2025, ela formalizou denúncias contra o síndico do edifício onde residia, Cléber Rosa de Oliveira, e contra o filho dele, Maykon Douglas de Oliveira, corretor com registro profissional.
Cléber foi preso como principal suspeito do homicídio, enquanto Maykon teve a prisão decretada por, supostamente, interferir no andamento das investigações. Conforme a Polícia Civil, o síndico é apontado como a única pessoa com motivação direta e condições para cometer o crime. Ambos permanecem detidos temporariamente.
Em nota, a defesa de Cléber informou que ele já prestou depoimento após a audiência de custódia e que segue colaborando com as autoridades para o esclarecimento do caso. A equipe de reportagem não conseguiu contato com a defesa de Maykon.
Segundo informações repassadas pelo Creci-GO, Daiane relatou que o síndico criava obstáculos à atividade de locação por temporada no condomínio e, além disso, exercia ilegalmente a profissão de corretor de imóveis, mesmo sem possuir registro no conselho.
Após a denúncia, foi instaurado um procedimento administrativo para apurar os fatos. O Creci explicou que, quando a denúncia envolve alguém sem inscrição profissional, o processo é encaminhado posteriormente à polícia, já que o exercício ilegal da corretagem configura contravenção penal.
No caso de Maykon Douglas, por ser corretor devidamente registrado, o conselho abriu um processo de representação por possível infração ética e disciplinar, também com base nas reclamações feitas por Daiane. O caso foi encaminhado à Comissão de Ética e Fiscalização Profissional, podendo resultar em penalidades que variam desde advertência até a cassação do registro.
Durante entrevista concedida pela Polícia Civil na quarta-feira (28), os delegados afirmaram que o histórico de conflitos entre a vítima e a administração do prédio teve peso significativo na investigação. As desavenças teriam se intensificado quando Daiane passou a administrar seis apartamentos da própria família, função que antes era desempenhada pelo síndico.
Imagens de câmeras de segurança mostram Daiane entrando no elevador às 19h do dia 17 de dezembro, a caminho do subsolo, onde pretendia verificar uma queda de energia em seu apartamento. Oito minutos depois, outra moradora utilizou o elevador para o mesmo andar, sem perceber qualquer situação anormal. Para a polícia, o crime teria ocorrido nesse intervalo.
A investigação aponta que Daiane foi até o subsolo para acessar o quadro de energia do prédio, após constatar que apenas sua unidade estava sem luz. Cortes seletivos de energia eram, segundo relatos, uma prática recorrente do síndico. Ela desceu com o celular em mãos, registrando a situação, o que pode ter provocado um confronto com o suspeito.
A Polícia Científica informou que as perícias continuam em andamento para a identificação oficial da vítima e a determinação da causa da morte. De acordo com Plínio César Cunha Mendonça, advogado da família, apenas os restos mortais da corretora foram localizados.