Trump quer acabar com o start-stop em novo afrouxamento de emissões de poluentes

O sistema start-stop está com os dias contatos, ao menos no que depender de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da América. O governo americano anunciou novas medidas para maior flexibilização das regulamentações ambientais que visam reduzir as emissões de gases de efeito estufa e uma delas afeta diretamente o sistema.

Chamado de “universalmente odiado”, o sistema start-stop gerava um crédito para as montadoras de, em média, US$ 30 (R$ 156 em conversão direta) por veículo. Esses créditos podem ser usados para compensar os poluentes de veículos maiores ou até mesmo vendidos para empresas que não atingiram suas metas.

Start Stop
Sistema funciona conectado à ECUDivulgação/Quatro Rodas

O crédito não é automático, ou seja, basta colocar o sistema start-stop para receber o valor, na verdade, ele só entra na conta se a fabricante atingisse suas metas. A medida valia para itens como sistemas de ar-condicionado aprimorados e outros equipamentos do veículo.

O Brasil tem uma política parecida, uma vez que equipamentos que podem contribuir com a redução de emissões e economia de combustível, mas que não conseguem comprovar sua eficiência em testes de laboratório, somente no uso prático. Entre esses equipamentos está o start-stop, o sistema de controle da grade frontal, o indicador de troca de marcha e o monitoramento de pressão dos pneus. No entanto, esses créditos são adicionados ao cálculo de eficiência energética e não diretamente transformados em dinheiro.

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Start-stop pode ser desativado por um botão
No Fiat Argo, start-stop pode ser desativado por botãoChristian Castanho/Quatro Rodas

Voltando à decisão de Trump e de sua Agência de Proteção Ambiental (EPA), a alegação é de que os sistemas “descarregam a bateria do seu carro sem nenhum benefício significativo para o meio ambiente”. O que contradiz estudos, que apontam para economia de combustível entre 7% e 26%, dependendo das condições de condução.

Somente nos Estados Unidos, segundo relatório da própria EPA, o sistema start-stop contribuiu para economia de 2 a 3 milhões de toneladas de CO₂ anualmente considerando dados até 2020. Atualmente, cerca de dois terços da frota estadunidense possui o dispositivo, portanto, a economia de poluentes certamente cresceu no período.

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Na declaração, o administrador da EPA, Lee Zeldin, afirma que o conjunto de medidas que afrouxam as regras fará com que consumidores economizem, em média, US$ 2.400 (R$ 12.500) na compra de um carro novo. No entanto, segundo a National Consumers League (NCL), uma organização sem fins lucrativos de defesa do consumidor – similar ao nosso Procon, o aumento dos preços dos veículos ocorre de outros fatores.

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Bateria precisa ser mais potente para modelos com start-stopHeliar/Divulgação

“As normas federais de segurança e economia de combustível economizam milhares de dólares para as famílias ao longo da vida útil de seus veículos, com um efeito marginal nos preços dos veículos”, disse Daniel Greene, diretor sênior de proteção ao consumidor e segurança de produtos da NCL.

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Fabricantes como a Ford comemoram a medida, já que “corrige o desequilíbrio entre os padrões de emissões atuais e a escolha do cliente”, enquanto a Stellantis afirmou que a medida é boa pois “permite oferecer aos americanos uma vasta gama de veículos que eles desejam, precisam e podem pagar”.

Vale ressaltar que a função start-stop desliga os veículos em breves paradas para economizar combustível. Na maioria dos carros é possível desligar o sistema, mas ele é religado toda vez que você desliga a ignição. O maior custo do sistema está ligado à troca de bateria em seu fim de vida útil, já que costuma ser consideravelmente mais cara que uma bateria convencional.

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