Carros elétricos mantêm a saúde das baterias em níveis elevados mesmo com o avanço das infraestruturas de recarga ultra rápida, aponta um novo estudo global da Geotab, empresa global de gestão de frotas e veículos conectados. O uso dos carros elétricos até interfere na vida útil das baterias, mas o impacto ao longo da vida útil é pequeno.
A análise técnica mais recente indica que a degradação média anual dos conjuntos de células de bateria é de 2,3%, um índice que garante longevidade superior ao ciclo de vida útil esperado para a maioria das frotas de carros elétricos. Estudo anterior já havia mostrado que a durabilidade das baterias chega a ser 40% superior àquilo que se imaginava anteriormente.
O índice é levemente superior aos 1,8% registrados na pesquisa anterior, de 2024. O aumento na taxa está atrelado à maior dependência de carregadores de alta potência (DC).
O levantamento utilizou dados reais de telemetria de mais de 22,7 mil carros elétricos, abrangendo 21 marcas e modelos distintos sob condições variadas de operação.
Como carregador e clima afetam a bateria
| Tipo de Recarga / Condição | Degradação Média Anual |
| Predominante em Corrente Alternada (AC) | 1,50% |
| Média Geral (Dados 2025) | 2,30% |
| Uso frequente de Recarga Rápida (DC > 100 kW) | 3,00% |
| Operação em Climas Quentes | +0,4% (adicional) |
| Uso Severo/Alta Quilometragem | +0,8% (adicional) |
A saúde química das baterias é influenciada pela forma como a recarga é feita. O uso frequente de carregadores de corrente contínua (DC) acima de 100 kW acelera o desgaste natural, levando a uma perda de capacidade de até 3% ao ano. Já os carros elétricos recarregados predominantemente em corrente alternada (AC) preservam melhor o sistema, com perda limitada a 1,5% anuais.
O clima também desempenha papel técnico relevante no desempenho dos carros elétricos. Em regiões de temperaturas elevadas, a degradação das células foi 0,4% superior à observada em zonas de clima temperado. O calor excessivo acelera as reações químicas internas, reduzindo a eficiência do armazenamento de energia ao longo dos ciclos de carga e descarga.

A pesquisa desmistifica o impacto da intensidade de uso diário na integridade do componente. Veículos submetidos a regimes severos de rodagem apresentaram um desgaste apenas 0,8% maior que os de uso leve. Isso indica que a quilometragem total percorrida pelos carros elétricos é menos determinante para a troca da bateria do que a potência da recarga e o gerenciamento térmico.
Para otimizar o Estado de Saúde (SOH), os especialistas recomendam evitar que o veículo permaneça em 100% de carga ou abaixo de 5% por longos períodos. Manter o nível de energia em faixas intermediárias protege as células de estresse físico.
A maioria das baterias atuais de carros elétricos deve sobreviver tanto quanto o próprio veículo, mantendo autonomia funcional por mais de uma década.