O anúncio de um protesto de direita para o dia 1º de março trouxe à tona novos atritos dentro do bolsonarismo, com o deputado Nikolas Ferreira (PL) convocando a manifestação sob o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”. No entanto, uma parte do grupo bolsonarista discorda da ênfase no impeachment do ministro do STF Dias Toffoli, argumentando que o foco deve ser a anistia aos manifestantes do 8 de janeiro e a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Desde então, aliados têm criticado Nikolas por tentar se distanciar de Bolsonaro e focar no próprio crescimento político, algo classificado como uma disputa por protagonismo. A convocação do protesto aconteceu no mesmo dia em que Toffoli se afastou da relatoria do processo envolvendo o Banco Master, após investigações que o conectaram a irregularidades.
Nos dias seguintes, figuras próximas ao clã Bolsonaro, como o deputado federal Mário Frias e o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo, passaram a priorizar a anistia e a liberdade de Bolsonaro no evento. Também houve um aconselhamento para que o senador Flávio Bolsonaro evitasse a pauta do impeachment de Toffoli, com receio de que ela beneficiasse Lula, permitindo-lhe indicar um novo ministro ao STF.
Nikolas, por sua vez, defendeu o impeachment, questionando a falta de coerência do grupo que, ao mesmo tempo, tenta minimizar o tema. Bolsonaristas que apoiam a defesa da anistia negaram que isso tenha a ver com blindagem a Toffoli, acusando críticos de “mau-caratismo”.
O protesto tem dividido ainda mais o bolsonarismo, com discussões sobre a prioridade da anistia versus o impeachment de ministros do STF. O filho de Bolsonaro, Eduardo, já demonstrou apoio à pauta de Nikolas, mas também houve atritos entre os dois, com críticas mútuas e tentativas de reconciliação.
Além disso, a tensão reflete divisões internas na família Bolsonaro, com Michelle Bolsonaro apoiando Nikolas publicamente. Em meio a essa disputa, Nikolas reafirma que, apesar das divergências, apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Senado.