Alfa Romeo Spider Aerodinamica modernizou seu design sem alterar mecânica clássica

A década de 1980 foi um período conturbado para os entusiastas dos conversíveis: normas de segurança cada vez mais rígidas fizeram com que os fabricantes abandonassem carrocerias abertas, notórias pela menor rigidez torcional e baixa resistência a impactos. A única a resistir foi a Alfa Romeo, que apresentou a terceira geração do roadster Spider, em 1983.

Praticamente sem concorrentes diretos, o Spider ainda era o mesmo conversível que sacudiu o mundo automotivo no Salão de Genebra de 1966: o conceito original de Aldo Brovarone e Battista Pininfarina era tão avançado que, na década de 1970, superou concorrentes ingleses como Triumph TR6 e MG MGB com discretos aprimoramentos técnicos e estéticos.

ALFA ROMEO SPIDER 3ª SÉRIE (AERODINaMICA)
Traseira traz moldura de borrachaFernando Pires/Quatro Rodas

Denominada “Aerodinamica”, a terceira geração do Spider continuava a ser produzida pela Pininfarina na histórica fábrica de Grugliasco, mantendo a tradição das gerações anteriores “Osso di Seppia” (1966-1969) e “Coda Tronca” (1969-1982). O desafio estava em manter o carisma e o apelo de um projeto que já sentia o peso dos seus 17 anos no mercado.

Para tanto, a Pininfarina realizou um estudo aprofundado em túnel de vento e atualizou a carroceria com para-choques envolventes e um defletor dianteiro. O tradicional scudetto dianteiro teve suas proporções reduzidas e a traseira destacou-se pela presença de novas lanternas e um aerofólio de borracha preta sobre a tampa do porta-malas.

ALFA ROMEO SPIDER 3ª SÉRIE (AERODINaMICA)
Rodas aro 15 melhoravam comportamento dinâmicoFernando Pires/Quatro Rodas
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A modernização do estilo não comprometeu a personalidade do Spider: os elementos básicos do estilo Pininfarina ainda eram os mesmos do protótipo Alfa Romeo Superflow (de 1956). Sua concepção mecânica permaneceu inalterada: estrutura monobloco, com motor dianteiro, câmbio manual de cinco marchas e tração traseira.

Sob o capô permanecia o lendário motor de quatro cilindros em linha projetado por Giuseppe Busso, com duplo comando de válvulas e câmaras hemisféricas. No Spider 1600 a cilindrada era de 1,6 litro e seus 104 cv a 5.500 rpm o faziam acelerar de 0 a 100 km/h em cerca de 13 segundos, com máxima em torno de 175 km/h.

ALFA ROMEO SPIDER 3ª SÉRIE (AERODINaMICA)
Alavanca do câmbio próxima ao volante: ergonomia perfeitaFernando Pires/Quatro Rodas

No Spider 2000 a cilindrada era de 2 litros, resultando em 126 cv a 5.300 rpm: acelerava de 0 a 100 km/h em menos de 10 segundos e chegava aos 194 km/h. Se no mercado europeu o motor era alimentado por carburadores Weber (Spider 1600) ou Solex (Spider 2000), no mercado norte-americano a alimentação era gerenciada pela injeção eletrônica Bosch L-Jetronic.

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Os freios a disco nas quatro rodas continuavam eficientes, mas o comportamento dinâmico do Spider era comprometido pelas limitações da plataforma (a mesma do cupê Giulia de 1963): a suspensão dianteira independente adotava braços sobrepostos e a traseira ancorava o já arcaico eixo rígido com braços arrastados e cintas limitadoras de curso.

ALFA ROMEO SPIDER 3ª SÉRIE (AERODINaMICA)
Versão Quadrifoglio trazia interior em cinza e vermelhoFernando Pires/Quatro Rodas
ALFA ROMEO SPIDER 3ª SÉRIE (AERODINaMICA)
Fernando Pires/Quatro Rodas

O interior permaneceu inalterado: o clássico volante Hellebore com aro de madeira estava à frente do painel, com conta-giros e velocímetro em primeiro plano. O console central acomodava instrumentos como marcador de combustível, temperatura da água e manômetro de pressão do óleo. O ar-condicionado Borletti estava entre os opcionais mais desejados.

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ALFA ROMEO SPIDER 3ª SÉRIE (AERODINaMICA)
O scudetto não prejudicava a refrigeração do lendário motorFernando Pires/Quatro Rodas
ALFA ROMEO SPIDER 3ª SÉRIE (AERODINaMICA)
Fernando Pires/Quatro Rodas

A terceira geração teve três níveis de acabamento: o básico Graduate trazia bancos de vinil e rodas de aço estampado. O intermediário Veloce incorporava bancos de couro, rodas de liga leve Cromodora e acionamento elétrico de vidros e espelhos. O topo de linha Quadrifoglio recebia interior bicolor (cinza e vermelho), kit aerodinâmico e teto rígido removível.

O painel só seria atualizado no modelo 1986: uma peça única contendo conta-giros, velocímetro, marcador de combustível, temperatura da água, manômetro de pressão do óleo e voltímetro. O console central recebeu saídas de ar-condicionado e o aerofólio traseiro (com terceira luz de freio integrada) passou a ser produzido em plástico rígido.

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O sistema de injeção integrada Bosch Motronic foi um sopro de modernidade incapaz de conter o avanço de concorrentes modernos como Toyota MR-2 (lançado em 1984) e Mazda MX-5 Miata (de 1989). Este mesmo sistema de gereciamento foi utilizado no Spider de quarta geração, que em 1994 encerrou o ciclo de 28 anos de produção, o mais longevo na história da Alfa Romeo.

Ficha Técnica

ALFA ROMEO SPIDER QUADRIFOGLIO 1987
Carroceria: aberta, 2 portas, 2 lugares
Motor: long., diant., 4 cil. em linha, 1.962 cm3, alimentado por injeção eletrônica; 116 cv a 5.500 rpm, 16,5 kgfm a 2.750 rpm
Câmbio: manual de 5 marchas, tração traseira
Dimensões: comprimento, 428 cm; largura, 163 cm; altura, 129 cm; entre-eixos, 225 cm; peso, 1.156 kg
Pneus: 195 / 60 HR 15

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