Sou do tempo em que, para medir a distância de frenagem de um carro, nos testes de QUATRO RODAS, o piloto precisava controlar a força aplicada ao pedal do freio para evitar o travamento das rodas. Dizia-se: frenagem sem travamento (travando, a distância de parada aumenta e acaba com os pneus). Não havia ABS.
Se eu fosse testar um carro sem ABS hoje, teria de fazer um treinamento prévio, para recordar a técnica para evitar o travamento das rodas. A tecnologia é bem-vinda. E ABS é item de segurança. Isso não se discute. Mas a sensação de perder habilidades não é legal.
Quer um exemplo mais banal? Sensores de estacionamento. Antigamente, eu sabia exatamente a hora de parar enquanto manobrava um carro, sem precisar de alertas. Agora, se o carro não tiver sensor ou câmera, frequentemente, ou paro o carro muito antes ou só depois de dar um totó na parede. Minha capacidade de julgamento piorou, nessa situação. Os mais novos podem me chamar de saudosista, dizer que os tempos mudam. Ok. Mas esse tema merece atenção.
Assim como as máquinas no passado substituíram as atividades físicas das pessoas, no futuro, a eletrônica vai substituir as atividades mentais. Hoje já se sabe que a atividade física é de vital importância para a saúde e, por isso, as pessoas vão para os parques e academias se exercitar. Amanhã, será necessário praticar exercícios mentais, como ler e jogar jogos que exigem atenção, concentração, memória e lógica.

Se a calculadora atrofiou nossa capacidade de fazer contas e o smartphone, a de guardar números de telefone na cabeça; no futuro a IA vai prejudicar o rendimento da inteligência natural, dos mais sedentários mentais. Acostumado a receber informações prontas, como o roteiro do trânsito toda manhã vindo para a redação, o resumo de e-mails trocados etc., outro dia me flagrei estacionando ao lado da bomba de combustível, no posto, esperando que o frentista soubesse o que eu estava fazendo ali… O funcionário perguntou o que eu queria. Respondi “completa” e estranhei quando ele ainda sem saber o que fazer questionou qual combustível eu queria colocar. Lógico, o posto ainda não está conectado com o meu carro.
No futuro, os carros serão autônomos. Já fazem muitas coisas sem precisar de nós. Alguns modelos elétricos nem chave de partida têm mais. Considerando que as pessoas perderão suas habilidades como motoristas, melhor que os carros sejam autônomos mesmo. Mas que monótonos serão os deslocamentos.
