Brasil lidera mercado de carros blindados e tem proteção até para populares

Até os anos 1990, ter carro blindado no Brasil era algo para diplomatas ou empresários de classe alta que temiam por sequestros. No trânsito, a preocupação da classe média era restrita, em geral, a abordagens pouco agressivas e a furtos como os de toca-fitas (quem viveu o período certamente se lembra das frentes removíveis dos rádios, que eram levadas pelo motorista ao estacionar na rua).

Com o aumento da violência, principalmente nas grandes cidades, a procura por blindagem automotiva se intensificou e se popularizou, gerando um mercado estruturado e com tecnologias cada vez mais modernas, que cresceu bastante no pós-pandemia.

 

De acordo com dados da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), foram feitas 34.402 novas blindagens no país ao longo de 2024, sendo cerca de 85% delas apenas no estado de São Paulo (28.962 veículos).

Blindados Mercado
Com a evolução dos materiais, a blindagem mais comum, nível III-A, ajudou a reduzir o peso total dos blindados, nos últimos temposFabio Paiva / Midjourney/Quatro Rodas

Na segunda posição ficou o Rio de Janeiro, com 2.669 unidades, seguido por Ceará (992), Pernambuco (843) e Rio Grande do Sul (395). Entre as marcas mais blindadas no ano passado estão Toyota, Jeep, BMW, Volkswagen e, consolidando a inclusão dos veículos eletrificados nesse segmento, a chinesa BYD.

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Países com realidades sociais tão ou mais complexas que o Brasil, como México e Colômbia, não possuem um mercado tão robusto e especializado. “Somos referência mundial em blindagem para civis. O segundo colocado é o México, que fechou o ano passado com 8.000 a 9.000 carros”, compara Marcelo Silva, presidente da Abrablin. “Aqui são mais de 120.000 profissionais diretos e indiretos trabalhando no setor, que gera mais de R$ 2 bilhões ao ano”, diz ele, lembrando que a associação criou, recentemente, um curso de especialização, em parceria com o Senai, para formar profissionais blindadores.

Desde 2021, o setor bate recordes ano após ano. E, segundo a própria Abrablin, a expectativa é fechar 2025 com mais crescimento – apenas no primeiro semestre, foram blindados 22.425 veículos. Atualmente, a estimativa é de que a frota total no Brasil esteja em torno de 425.000 automóveis do tipo.

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Marco de Bari/Quatro Rodas

“Com o alto índice de violência nas grandes capitais, as pessoas passaram a ter desejo por carros blindados”, observa Daniel Faingezicht, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e especialista em mercado de luxo automotivo.

“O aumento do volume de produção e também as tecnologias mais modernas tornaram (esse mercado) mais acessível”, diz ele. “Algumas pessoas mantiveram o padrão dos carros de luxo que têm, de marcas como Porsche, Mercedes, Audi, BMW e Volvo, e os tornaram blindados. Porém, uma outra parte da população optou por carros mais populares, que ficam mais discretos no trânsito, como os da Honda, Toyota, Volkswagen e Nissan. Está muito mais democrático o acesso a carros blindados.”

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Os materiais, todos de uso controlado pelo Exército brasileiro, também evoluíram muito na blindagem de nível III-A, a mais adotada para uso civil no Brasil, suficiente para barrar projéteis de armas como pistolas e revólveres, além de submetralhadoras 9 mm.

Na carroceria, boa parte das pesadas placas de aço foi substituída por tecidos de fibras leves, como a manta de aramida, já utilizada em coletes à prova de bala. E tecnologias como o Polietileno de Ultra Alto Peso Molecular (UHMWPE) estão sendo usadas em substituição ao pouco aço balístico que ainda costuma revestir as colunas estruturais do veículo. “É um mercado que é regulamentado, profissionalizado, com boa matéria-prima e boa mão de obra”, observa Patricia Grilli, organizadora da Expoblindagem, evento cuja primeira edição reuniu 30 expositores e cerca de 800 visitantes, em outubro de 2025, na cidade de São Paulo.

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