O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, prestou depoimento nesta sexta-feira ao Congresso norte-americano sobre o caso envolvendo o criminoso sexual Jeffrey Epstein. Sua esposa, Hillary Clinton, ex-secretária de Estado, havia sido ouvida na quinta-feira sobre o mesmo tema.
Bill Clinton depôs perante o Comitê da Câmara dos Representantes, de maioria republicana, que investiga as atividades e conexões políticas de Epstein, condenado por abuso e tráfico sexual. Embora o ex-presidente apareça em documentos do caso — incluindo fotos em que surge com Epstein em situações íntimas e ao lado de Ghislaine Maxwell — ele nunca foi implicado em nenhum crime.
Clinton admitiu ter viajado no jato particular de Epstein em algumas ocasiões no início dos anos 2000, em missões humanitárias ligadas à Fundação Clinton, mas negou qualquer visita à ilha privada do bilionário no Caribe. Ele destacou que encerrou relações com Epstein antes da condenação do empresário em 2008 e que a presença de seu nome nos arquivos não indica envolvimento em atividades ilícitas.
Hillary Clinton também afirmou não possuir informações sobre o esquema de Epstein e solicitou que o então presidente Donald Trump seja convocado a depor sob juramento, uma vez que o republicano também é mencionado nos documentos.
Epstein mantinha uma extensa rede de contatos com políticos, executivos e celebridades, o que resultou em repercussões internacionais, incluindo prisões no Reino Unido, como a do ex-príncipe Andrew e de Peter Mandelson, ex-embaixador nos EUA.
O bilionário foi inicialmente preso em 2008, condenado a 13 meses de prisão após denúncias de abuso sexual contra uma menor de 14 anos. Beneficiou-se de um acordo controverso que limitou sua pena, permitindo saídas para trabalhar. Em 2019, voltou a ser preso por tráfico sexual, sendo acusado de explorar dezenas de meninas. Pouco depois, Epstein foi encontrado morto em sua cela, com a causa oficial atribuída a suicídio.
Mais de três milhões de páginas de documentos do caso foram publicadas pelo Departamento de Justiça dos EUA em janeiro, contendo fotos, vídeos e arquivos do próprio Epstein, após atraso na divulgação prevista inicialmente para 19 de janeiro.