Líder de vendas no Brasil, Stellantis registra prejuízo global de bilhões

Assim como outras grandes marcas da indústria automotiva, o grupo Stellantis, dono de marcas como Fiat, Jeep e Citroën, também enfrenta dificuldades na eletrificação. Após apostar fortemente nos veículos elétricos, a empresa agora opta por desacelerar investimentos nesse segmento e retomar projetos a combustão.

Diferentemente de concorrentes que reduziram o ritmo por cautela de mercado, no caso da Stellantis a decisão está diretamente ligada a uma crise financeira provocada por uma mudança estratégica mal calibrada.

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Fiat 500eFernando Pires/Quatro Rodas

O balanço fiscal de 2025 revelou um déficit de 22,3 bilhões de euros (R$ 135,59 bilhões). O número já é expressivo por si só, mas ganha outra dimensão quando comparado aos anos anteriores. Em 2024, o grupo ainda havia registrado lucro de 5,5 bilhões de euros (R$ 33,44 bilhões), resultado que já representava queda de 70% frente a 2023. Em dois anos, a empresa saiu do lucro para um prejuízo excessivo.

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A justificativa apresentada foi a realização de “uma profunda mudança estratégica para atender às preferências dos clientes”. Na prática, isso significa que a Stellantis superestimou a velocidade da transição para os veículos elétricos e agora arca com os custos dessa reestruturação.

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Divulgação/Peugeot

Além da aposta elevada na eletrificação, alguns projetos nos Estados Unidos enfrentaram dificuldades comerciais. Modelos como o Dodge Charger Daytona EV e o Jeep Wagoneer S foram posicionados no topo de seus segmentos em termos de preço, mas tiveram dificuldade para justificar esse valor frente a concorrentes já consolidados.

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A menor adesão do mercado impactou a estratégia industrial, levando ao cancelamento de diversos projetos elétricos, principalmente na América do Norte, e abrindo espaço para a retomada de modelos a combustão com maior margem de lucro. Na Europa, motores a diesel e versões com sistema híbrido leve serão reintegrados a diferentes modelos do portfólio. Já na América do Norte, o destaque é o retorno do motor HEMI V8.

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Divulgação/Ram

Como medida para reforçar o caixa, o conselho suspendeu o pagamento de dividendos previsto para 2026 e autorizou a emissão de até 5 bilhões de euros (R$ 30,32 bilhões) em títulos híbridos. O fluxo de caixa livre industrial permaneceu negativo em 4,5 bilhões de euros (R$ 27,29 bilhões), embora tenha apresentado melhora de 25% em relação a 2024.

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Apesar do cenário adverso, o segundo semestre trouxe sinais de estabilização. As receitas cresceram 10% e as remessas subiram 11%, acompanhando a normalização dos estoques. As entregas globais em 2025 somaram 5,573 milhões de veículos, alta de 1% sobre o ano anterior, mantendo a Stellantis na quinta posição mundial, atrás de Toyota, Volkswagen Group, Hyundai Motor Group e General Motors.

Ainda assim, o mercado financeiro reagiu com cautela. Segundo a Reuters, as ações da Stellantis acumulam queda superior a 30% no ano, atingindo o menor patamar desde a fusão entre PSA Group e Fiat Chrysler Automobiles, que deu origem ao grupo em 2021.

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