O escândalo envolvendo o Banco Master tem provocado uma intensa disputa política em Brasília, com governistas e opositores trocando acusações sobre possíveis ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, que voltou a ser preso na última quarta-feira (4).
Desde que a instituição financeira entrou em liquidação no ano passado, diferentes investigações passaram a citar, direta ou indiretamente, nomes influentes da política nacional. Entre os mencionados estão parlamentares, governadores, ex-ministros e prefeitos, além de referências a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
No Congresso, chegou a ser apresentada uma proposta para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o caso. No entanto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já sinalizou que não pretende instalar a comissão neste momento.
Relações políticas sob investigação
As investigações e documentos apreendidos apontam contatos e relações de Vorcaro com diferentes lideranças políticas.
Entre os nomes citados está Antônio Rueda, presidente do União Brasil, que teria recebido oferta de carona em helicóptero durante o Grande Prêmio de Fórmula 1 em Interlagos, em 2024. O senador Ciro Nogueira, presidente do PP, também aparece em mensagens nas quais o banqueiro o descreve como “grande amigo”.
No Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro foi relacionado às investigações após recursos do fundo de previdência dos servidores estaduais terem sido aplicados no Banco Master. O governo estadual afirma que realiza apurações internas para esclarecer os fatos.
O nome de Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, também surge no caso. Ele atuou como consultor da instituição e intermediou um encontro entre o presidente Lula e Vorcaro no Palácio do Planalto, em 2024.
Encontros e relações institucionais
O próprio presidente da República confirmou ter se reunido com o banqueiro fora da agenda oficial. Segundo Lula, o encontro ocorreu a pedido de Mantega e contou com a presença de integrantes do governo.
De acordo com o presidente, Vorcaro afirmou na ocasião estar sendo alvo de perseguição. Lula disse que a resposta do governo seria permitir que o caso fosse analisado tecnicamente pelo Banco Central.
Além disso, registros apontam outras visitas do empresário ao Palácio do Planalto, na Secretaria de Relações Institucionais.
Investigações e suspeitas financeiras
O escândalo também envolve suspeitas de investimentos considerados arriscados ou irregulares feitos por fundos públicos de previdência em diferentes estados e municípios.
Órgãos de controle e o Ministério Público investigam aplicações milionárias realizadas por institutos de previdência em títulos emitidos pelo Banco Master.
Entre os casos analisados estão aplicações feitas por fundos previdenciários em cidades como Maceió, Aparecida de Goiânia e também em estados como o Amapá.
Outras conexões citadas
O caso ainda menciona ligações indiretas com diversas figuras políticas e autoridades, entre elas:
o ex-presidente Jair Bolsonaro
o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas
o deputado Nikolas Ferreira
o ministro da Justiça Ricardo Lewandowski
o ministro da Casa Civil Rui Costa
o senador Jaques Wagner
As investigações seguem em andamento e buscam esclarecer se houve irregularidades financeiras, tráfico de influência ou uso político da estrutura da instituição.