Um mês após a morte dos irmãos Miguel Araújo Machado, de 12 anos, e Benício Araújo Machado, de 8, a mãe das crianças afirma que ainda enfrenta dificuldade para lidar com a perda. Em entrevista concedida à TV Anhanguera, Sara Araújo relatou que continua sem conseguir compreender completamente a tragédia que atingiu sua família em Itumbiara, no sul de Goiás.
Segundo ela, desde o crime ocorrido em 11 de fevereiro, lembrar dos filhos por meio de fotografias e vídeos tornou-se uma experiência extremamente dolorosa. A ausência das crianças, afirma, ainda é algo difícil de aceitar.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil apontaram que o então secretário de Governo do município, Thales Naves Alves Machado, de 40 anos, teria disparado contra os próprios filhos enquanto eles dormiam e, logo depois, tirado a própria vida.
Após os tiros, Miguel chegou a ser socorrido, mas não resistiu e morreu no dia seguinte. Já Benício permaneceu internado em estado gravíssimo até o dia 13 de fevereiro, quando também faleceu.
O inquérito policial foi concluído no fim daquele mês e classificou o caso como duplo homicídio seguido de suicídio. A perícia não encontrou indícios de envolvimento de outras pessoas e, por esse motivo, recomendou o arquivamento da investigação, uma vez que o autor do crime morreu.
O relatório da polícia aponta ainda que, antes dos disparos, Thales teria enviado à mãe das crianças uma fotografia dos meninos dormindo acompanhada de mensagens com ameaças. De acordo com os investigadores, os corpos foram encontrados na mesma posição mostrada na imagem.
Durante a entrevista, Sara também falou sobre a rede de apoio que recebeu após o ocorrido. Entre as manifestações de solidariedade, ela citou o envio de um buquê de rosas brancas por um grupo formado por mais de 300 mulheres de diferentes partes do país.
As flores foram entregues na residência do prefeito de Itumbiara, Dione Araújo, que é pai de Sara e sogro de Thales. O prefeito foi uma das primeiras pessoas a chegar ao local da tragédia, onde encontrou o genro morto e os netos gravemente feridos.
Os velórios das crianças aconteceram na casa do avô. Durante o sepultamento de Miguel, realizado em 12 de fevereiro, Sara deixou o cemitério antes do encerramento da cerimônia após relatos de ameaças, segundo testemunhas.
Para participar da despedida, ela precisou de escolta e foi amparada por familiares e amigos ao chegar ao local do enterro.