Malha fina mais rigorosa: veja os erros que podem travar seu Imposto de Renda

Neste ano, o sistema ganhou novos mecanismos de alerta, capazes de avisar o contribuinte durante o preenchimento quando detectar informações fora do padrão

A fiscalização da Receita Federal está cada vez mais rigorosa, ampliando o cruzamento de dados e elevando as chances de identificar inconsistências na declaração do Imposto de Renda. Com isso, falhas como omissão de rendimentos, divergência de valores e uso indevido de deduções seguem entre os principais motivos que levam contribuintes à malha fina.

Neste ano, o sistema ganhou novos mecanismos de alerta, capazes de avisar o contribuinte durante o preenchimento quando detectar informações fora do padrão. Além disso, o controle sobre despesas médicas ficou mais rígido com o avanço do Receita Saúde, que exige a emissão de recibos eletrônicos por profissionais da área.

Os números mais recentes mostram o tamanho do problema: quase 4 milhões de declarações ficaram retidas no ano passado, o equivalente a cerca de 8,7% do total. As despesas médicas lideraram os erros, superando até mesmo a omissão de rendimentos.

O prazo para envio da declaração de 2026 começa no dia 23 de março e segue até 29 de maio. Quem perder a data está sujeito a multa, que pode variar de R$ 165,74 até 20% do imposto devido.

Entre os erros mais comuns estão inconsistências em salários, aposentadorias e outras rendas — especialmente quando há mais de uma fonte pagadora —, além de divergências em dados de bancos, investimentos e imposto retido na fonte.

Nas deduções, o principal cuidado é informar apenas despesas comprováveis. Gastos médicos precisam ter recibos válidos, enquanto despesas com educação devem respeitar os limites e categorias permitidas por lei. Também são frequentes falhas envolvendo dependentes, como inclusão indevida, duplicidade em declarações ou omissão de rendimentos.

Especialistas apontam que a declaração pré-preenchida pode ajudar a reduzir erros, mas não dispensa a conferência das informações. Caso o contribuinte identifique algum problema após o envio, é possível corrigi-lo por meio de uma declaração retificadora.

Outro ponto de atenção é a obrigatoriedade de declarar: neste ano, deve prestar contas quem teve rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584. Já erros envolvendo investimentos também são comuns, como não declarar lucros, confundir tipos de rendimentos ou omitir operações.

Para evitar cair na malha fina, a recomendação é simples: conferir todos os dados com atenção, usar os informes oficiais como base e guardar a documentação por pelo menos cinco anos.