O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na noite desta quinta-feira (19), que pretende manter o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), em sua chapa para a reeleição, mas destacou que a decisão final caberá ao próprio aliado, que poderá optar entre permanecer na disputa pelo Executivo ou concorrer ao Senado.
Durante evento realizado no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, Lula reforçou o desejo de repetir a parceria. “Eu ficarei imensamente feliz de ter o Alckmin como vice outra vez”, declarou, ao mesmo tempo em que anunciou a pré-candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo.
O presidente também indicou a necessidade de fortalecer a composição para o Senado. “Se ele [Alckmin] for meu vice, Haddad, eu fico tranquilo. Mas a gente precisa montar uma chapa de senador para disputar conosco, e eles [da direita] não têm senador para disputar conosco. Não sei se Geraldo vai ser candidato ao Senado, mas a vaga de vice está aberta para você”, afirmou.
No mesmo evento, Lula confirmou que uma das candidaturas ao Senado por São Paulo será da ministra do Planejamento, Simone Tebet, que deve transferir seu domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para o estado paulista e se filiar ao PSB. “Sei que a Simone Tebet vai ser uma das candidatas a senadora aqui”, disse.
Segundo Lula, caberá a Alckmin dialogar com Haddad para definir qual será o melhor caminho na eleição de 2026.
Ainda durante o discurso, o presidente fez críticas ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ao comentar o caso envolvendo o Banco Master. Mais cedo, ele já havia demonstrado insatisfação com a redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, considerada abaixo do esperado pelo governo.
“Esse Banco Master, vira e mexe estão tentando empurrar nas costas do PT e do governo. Esse banco é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos. E nós não deixaremos pedra sobre pedra para apurar tudo que fizeram, esse rombo de 50 bilhões nesse país. Se a gente não tomar cuidado, Haddad, vão tentar dizer que somos nós”, afirmou.
“Quem reconheceu o banco em setembro de 2019 foi o Roberto Campos, e todas as falcatruas foram feitas por ele. Nós temos que ir a fundo, e a bancada do PT tem que ter coragem de denunciar”, acrescentou.
O evento reuniu diversas lideranças políticas e integrantes do governo, incluindo o ex-ministro José Dirceu, além dos ministros Luiz Marinho, Camilo Santana, Paulo Teixeira e Guilherme Boulos. Também participaram representantes de outros partidos aliados, como o PC do B, PV e PSB.
“Esse é o início de uma coligação ampla que a gente vai construir aqui em São Paulo”, declarou o deputado federal Kiko Celeguim, presidente estadual do PT.
Antes do ato político, Lula participou de uma homenagem ao ex-presidente do Uruguai José Mujica, que morreu em 2025. A cerimônia ocorreu na Universidade Federal do ABC, onde Mujica recebeu, postumamente, o título de doutor honoris causa.
Durante a homenagem, Lula leu uma carta enviada pelo líder uruguaio, que defendia a integração entre os países da América Latina como um “sonho bolivariano esquecido no tempo”. O presidente também criticou a atuação internacional dos Estados Unidos, citando interferências em países como Venezuela e Irã, e ressaltou a necessidade de autonomia regional. “Não é possível que a gente não tenha consciência de que não são os outros que vão resolver nossos problemas”, afirmou.
O petista ainda comparou a exploração histórica do Brasil durante o período colonial com o atual interesse estrangeiro em recursos naturais. “Querem nos explorar e fazer o mesmo que faziam com o ouro.”
Ao final, Lula prestou homenagem a Mujica, a quem chamou de irmão e companheiro, e saudou Lucía Topolansky, que representou o ex-presidente uruguaio na cerimônia.