Após o governador do Paraná, Ratinho Junior, sinalizar que permanecerá no cargo até o fim do mandato, a equipe de pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro passou a concentrar a análise em novos nomes para a vice-presidência. Entre as opções mais consideradas estão a senadora Tereza Cristina e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema.
A definição, no entanto, deve ocorrer apenas mais adiante, próximo ao período das convenções partidárias, previsto para julho.
Internamente, aliados do senador não demonstram consenso. Parte do grupo defendia a escolha de Ratinho Junior, possibilidade que perdeu força após o próprio governador descartar deixar o cargo antes do término do mandato.
Em declaração recente, Flávio afirmou que ainda não trata da escolha de vice. “Vamos com calma”, disse, citando Tereza Cristina e Zema como alternativas. Ele também fez um aceno ao governador paranaense: “O Ratinho é sempre um bom quadro para compor conosco a nível nacional”.
Nos bastidores, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, avalia Tereza Cristina como a opção ideal para a chapa. Já o ex-presidente Jair Bolsonaro teria preferência por Romeu Zema, segundo interlocutores.
Zema é visto como um nome estratégico por representar Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, onde a campanha busca ampliar votos frente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar disso, há cautela de ambos os lados. O ex-governador demonstra receio de se envolver nas disputas internas do grupo político, enquanto a equipe de Flávio questiona o real potencial de transferência de votos.
Levantamentos internos chegaram a ser realizados para medir esse impacto, mas os resultados não foram conclusivos. Em 2024, por exemplo, o candidato apoiado por Zema à prefeitura de Belo Horizonte terminou apenas na terceira colocação, e o partido Novo teve desempenho limitado nas eleições municipais no estado.
Publicamente, Zema nega negociações e afirma que pretende manter sua própria candidatura presidencial até o fim.
Já Tereza Cristina aparece como favorita entre partidos do chamado centrão, mas sua escolha depende de uma eventual aliança nacional com a federação formada por União Brasil e PP. Essas siglas ainda demonstram resistência em apoiar Flávio, priorizando, por ora, a formação de chapas para o Legislativo.
Dentro da campanha, a senadora é vista como um nome capaz de ampliar o apoio entre o eleitorado feminino e fortalecer a interlocução com o agronegócio, setor no qual tem forte atuação política. Por outro lado, críticos avaliam que esse segmento já tende a apoiar o campo bolsonarista, o que reduziria o impacto de sua indicação.
Também pesam fatores regionais, já que Tereza representa um estado com menor influência eleitoral na disputa nacional.
Outras alternativas chegaram a ser sondadas, como a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, em uma estratégia para ampliar a presença no Nordeste. No entanto, ela optou por disputar a reeleição. Ainda assim, novos nomes, especialmente femininos e da região, seguem em análise.