Vistos de 300 estudantes envolvidos em protestos contra Israel são cancelados pelo governo Trump

Ativistas são chamados de 'lunáticos' por secretário de Estado, que espera se 'livrar' deles

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou nesta quinta-feira que o governo revogou os vistos de mais de 300 estudantes internacionais que, segundo ele, estariam envolvidos em protestos contra Israel em universidades americanas no ano passado. Durante sua fala, Rubio qualificou esses estudantes de “lunáticos” e afirmou que espera se “livrar” deles em breve.

“Estamos falando de mais de 300 neste momento. Realizamos isso todos os dias”, declarou Rubio a jornalistas em visita à Guiana, quando questionado sobre os números. “Sempre que encontro um desses lunáticos, retiro seu visto. Em algum momento, espero que não haja mais vistos, porque já os eliminamos.”

Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca em janeiro, Rubio tem adotado uma postura firme contra estudantes que participaram de protestos contra o apoio dos EUA a Israel na guerra em Gaza. O caso mais notável foi o de Mahmoud Khalil, líder dos protestos na Universidade de Columbia, em Nova York. Khalil foi preso recentemente pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) e transferido para a Louisiana antes de iniciar o processo de deportação, apesar de ser portador de um visto de residência permanente.

Rubio também foi questionado sobre o caso recente na Universidade Tufts, em Massachusetts, onde a estudante de doutorado turca Rumeysa Ozturk, que havia publicado um artigo de opinião em que exigia o reconhecimento de um “genocídio” contra os palestinos, foi detida por agentes de imigração. A congressista Ayanna Pressley, de Massachusetts, acusou o governo Trump de “sequestrar” estudantes com status legal. “Esta é uma violação grave dos direitos constitucionais de Rumeysa ao devido processo legal e à liberdade de expressão. Ela deve ser libertada imediatamente”, afirmou Pressley.

A Casa Branca, por sua vez, alegou que a proteção constitucional à liberdade de expressão dos EUA não se aplica a cidadãos estrangeiros e acusou os ativistas de criar um ambiente perigoso para os estudantes judeus. Em resposta, Rubio comentou que “se alguém vem aos Estados Unidos não para escrever artigos de opinião, mas para se envolver em atividades como vandalismo nas universidades, assédio a estudantes, ocupação de prédios ou criação de tumultos, não lhe daremos um visto”. Ele acrescentou: “Se você nos mentir para conseguir um visto e, ao chegar aos EUA, usar esse visto para participar desse tipo de atividade, retiraremos seu visto.”