Após meses de impasse, Lula oficializa indicação de Jorge Messias ao STF

A demora ocorreu em meio a um cenário de articulação política

Após mais de quatro meses do anúncio público, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou nesta terça-feira (31) o envio ao Senado da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O nome do atual chefe da Advocacia-Geral da União havia sido divulgado em novembro, mas o processo oficial só foi iniciado agora.

A demora ocorreu em meio a um cenário de articulação política. O governo enfrentava resistência dentro do Senado, especialmente por parte do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que demonstrava preferência por outro nome: o senador Rodrigo Pacheco.

Mesmo após anunciar a escolha, Lula optou por adiar o envio formal da indicação como estratégia para ganhar tempo e ampliar o diálogo com parlamentares, buscando reduzir resistências antes da sabatina.

Em nota divulgada nesta terça-feira, Messias sinalizou disposição para negociar apoio no Congresso. “O momento exige entendimento”, afirmou. “Darei continuidade à minha jornada no Senado com humildade e fé. Continuarei meu empenho pela pacificação e estabilidade”.

Ele também reforçou seu perfil conciliador: “Como profissional do direito, sempre valorizei o diálogo e a conciliação como as melhores maneiras de resolver conflitos. Reafirmarei meu compromisso com essas credenciais”.

Nos bastidores, a postergação do envio foi utilizada para evitar uma eventual rejeição acelerada no Senado e permitir maior articulação política. Em novembro, Alcolumbre chegou a agendar a sabatina logo após o anúncio, mas a falta da documentação necessária — retida pelo próprio governo — levou ao cancelamento, dentro da estratégia de ganhar tempo.

Agora, com a formalização, o processo segue para análise oficial pelos senadores. A expectativa do governo é que, após meses de conversas diretas entre Lula e Alcolumbre, o nome de Messias encontre um ambiente mais favorável.

Apesar disso, aliados do presidente do Senado avaliam que a resistência ao indicado pode ter crescido, sobretudo diante de investigações recentes envolvendo o chamado “esquema do Banco Master”, que atingem figuras do centrão.

Paralelamente, ministros do próprio STF passaram a manifestar apoio ao nome de Messias. Entre eles estão André Mendonça e Kassio Nunes Marques, indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, além de Gilmar Mendes e Cristiano Zanin.

A indicação depende agora da aprovação de ao menos 41 dos 81 senadores, em votação secreta. O tema chegou a gerar tensão entre o Palácio do Planalto e o Senado, que é considerado peça-chave para a governabilidade do atual mandato.

Antes da formalização, Alcolumbre chegou a criticar a ausência do envio oficial, etapa necessária para que o Senado pudesse iniciar a tramitação. Durante esse período, Messias intensificou conversas políticas em busca de apoio.

Lula também tratou do assunto com lideranças da Casa, como o senador Jaques Wagner e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto Alencar. Segundo relatos, Otto avaliou que o indicado tem boas chances de aprovação.

A escolha de Messias, no entanto, não foi consenso desde o início e acabou desgastando a relação entre o Executivo e o Senado, onde havia apoio significativo à indicação de Rodrigo Pacheco.