O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realizou ao menos duas viagens ao longo de 2025 utilizando aeronaves particulares cedidas por empresários. As informações foram levantadas a partir de documentos e relatos obtidos pelo jornal Estadão.
Um dos deslocamentos ocorreu na virada do dia 30 de abril para 1º de maio, quando o parlamentar embarcou rumo à Flórida acompanhado da esposa e do advogado Willer Tomaz. O voo foi feito em um jato executivo de longo alcance pertencente a uma empresa ligada aos donos da União Química. A viagem aconteceu logo após o aniversário de 44 anos do senador.
Registros do aeroporto de Brasília apontam que o embarque foi realizado às 23h37 do dia 30, com decolagem pouco depois da meia-noite. O advogado que acompanhava o senador já atuou em processos envolvendo a empresa proprietária da aeronave.
Em outra ocasião, no dia 1º de abril, Flávio viajou com a esposa e as duas filhas em um jatinho ligado ao próprio Willer Tomaz, com destino ao Rio de Janeiro. A aeronave utilizada foi um modelo executivo de menor porte, com capacidade para até oito passageiros.
Há ainda registros de outras movimentações do senador em voos privados, embora sem detalhes sobre os destinos ou aeronaves utilizadas.
Ao ser questionado, Flávio Bolsonaro afirmou que as viagens tiveram caráter “pessoal e familiar”, mas não informou quem arcou com os custos dos deslocamentos.
Willer Tomaz, por sua vez, declarou que mantém amizade com o senador e negou ter recebido qualquer tipo de benefício na administração pública.
Figura conhecida nos bastidores políticos de Brasília, o advogado construiu relações com integrantes de diferentes correntes partidárias. Ele ganhou proximidade com o parlamentar durante o governo de Jair Bolsonaro. Atualmente, também é sócio do ex-procurador Eugênio Aragão.
No passado, Willer chegou a ser preso pela Polícia Federal após ser citado em delação do empresário Joesley Batista, sob suspeita de tentativa de corrupção. No entanto, o caso foi arquivado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região por falta de provas.
Nota do senador:
“O senador Flávio Bolsonaro mantém relação de amizade com o advogado Willer Tomaz, assim como suas famílias, sem qualquer vínculo profissional ou comercial. Diferentemente de Lula, que utiliza aviões de amigos que têm empresas reguladas pelo governo, os voos tiveram caráter privado, com finalidade pessoal e familiar, não havendo qualquer contrapartida, favorecimento ou relação com a administração pública”.
Nota do advogado:
“O advogado Willer Tomaz esclarece que os voos mencionados tiveram caráter estritamente privado, realizados no contexto de relação pessoal de amizade entre as partes. Os deslocamentos foram de natureza exclusivamente pessoal e familiar, sem qualquer vínculo comercial, prestação de serviços ou contrapartida de qualquer natureza”, afirmou em nota