Exército prende militares por trama golpista e escândalo ganha novo capítulo

As detenções foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes após o esgotamento dos recursos apresentados pelas defesas

O Exército Brasileiro deu cumprimento, na manhã desta sexta-feira (10), a mandados de prisão contra três militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.

As detenções foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes após o esgotamento dos recursos apresentados pelas defesas. Com isso, foi determinada a execução imediata das penas. Os presos integram o chamado núcleo 4 da investigação, apontado como responsável pela disseminação de desinformação.

Foram detidos o major da reserva Ângelo Denicoli, o subtenente Giancarlo Rodrigues e o tenente-coronel Guilherme Almeida.

De acordo com as investigações, o grupo teria atuado na divulgação de conteúdos falsos sobre as urnas eletrônicas, utilizando redes sociais como ferramenta para sustentar uma estratégia que buscava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apontou que os integrantes desse núcleo promoveram ações coordenadas no ambiente digital, com o objetivo de atacar instituições e contribuir para um plano mais amplo de ruptura democrática.

Além das prisões realizadas, outros dois condenados seguem foragidos: o coronel Reginaldo Abreu e Carlos César Moretzsohn Rocha, ligado ao Instituto Voto Legal.

As acusações contra o grupo incluem a produção e disseminação de notícias falsas sobre o sistema eleitoral, ataques virtuais a autoridades e apoio às mobilizações ocorridas entre o final de 2022 e o início de 2023.

As investigações também indicam o possível uso da estrutura da Agência Brasileira de Inteligência em práticas ilícitas, uma vez que alguns dos envolvidos ocupavam cargos no órgão durante o período apurado.

Ao todo, sete pessoas foram condenadas nesse núcleo, com penas que variam conforme a participação de cada um. Entre os crimes atribuídos estão tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, além de danos ao patrimônio público.