O governo federal está estruturando um novo programa voltado à renegociação de dívidas, em meio ao crescimento do endividamento das famílias brasileiras. A proposta prevê substituir débitos antigos por um novo financiamento, com condições mais acessíveis, como juros reduzidos e prazos ampliados.
A iniciativa deve contar com o suporte do Fundo de Garantia de Operações (FGO), que funcionaria como uma espécie de proteção para os bancos em caso de inadimplência. Com isso, a expectativa é facilitar a concessão de crédito com custos menores. A equipe econômica trabalha para lançar o programa ainda antes do período eleitoral, com duração estimada de três meses.
Pelo modelo em estudo, os próprios bancos oferecerão descontos que podem chegar a até 90% sobre o valor das dívidas, além de disponibilizar novas linhas de crédito mais baratas. Trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos poderão utilizar até 20% do saldo do FGTS para quitar pendências.
O programa deve abranger dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia, consideradas as mais caras do mercado. A renegociação será feita diretamente com cada instituição financeira, sem plataforma centralizada.
A expectativa é movimentar entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões em dívidas renegociadas. No entanto, dentro do governo, há receio de que a medida estimule o consumo e gere impacto na inflação.
Também está em discussão a inclusão de microempreendedores, pequenas empresas e até dívidas estudantis, além da criação de regras como restrições temporárias para apostas online para quem aderir ao programa.
Entre os desafios para viabilizar a proposta está o reforço financeiro do FGO, que atualmente possui recursos limitados. Uma das alternativas em debate é o uso de valores esquecidos em instituições financeiras, embora a ideia ainda enfrente questionamentos legais.