Os preços do petróleo iniciaram a semana em forte alta, refletindo o aumento das tensões no Oriente Médio e a crescente cautela dos investidores diante das incertezas envolvendo o conflito com o Irã. Nas primeiras negociações desta segunda-feira (20), a valorização chegou a cerca de 6%.
O barril do Brent crude oil, principal parâmetro global, era negociado próximo de US$ 96 na noite de domingo (19), considerando contratos com vencimento em junho. O movimento representa uma virada em relação à queda registrada na sexta-feira (17), quando sinais de reabertura da rota marítima haviam aliviado o mercado.
O fator central para a nova disparada é o bloqueio imposto pelo Irã ao Estreito de Hormuz, corredor por onde circula aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito. A interrupção do tráfego reacendeu preocupações sobre o abastecimento global.
Durante o fim de semana, a situação se agravou. No sábado (18), a Guarda Revolucionária Iraniana realizou ataques contra embarcações que cruzavam a região, segundo relatos de agências internacionais. Em resposta, Teerã endureceu novamente as regras de navegação, alegando violações por parte dos Estados Unidos.
Em pronunciamento, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que Washington não conseguiu impor sua posição nem reunir apoio internacional suficiente para sustentar o conflito. Do lado americano, o presidente Donald Trump reagiu com declarações duras, acusando o Irã de provocação e elevando o tom das ameaças.
“Estamos oferecendo um acordo muito justo e razoável, e espero que eles aceitem, porque, se não aceitarem, os Estados Unidos vão destruir todas as usinas de energia e todas as pontes no Irã. Chega de ser bonzinho!”, escreveu Trump.
Apesar da retórica agressiva, há expectativa de uma nova rodada de negociações entre representantes dos dois países no Paquistão nesta segunda-feira (20), embora ainda não haja confirmação da participação iraniana. O atual acordo de trégua tem validade até quarta-feira (22).
Um dos principais entraves segue sendo o programa nuclear iraniano. Enquanto Washington pressiona por um abandono completo, Teerã demonstra resistência. Há relatos de propostas intermediárias, como uma suspensão temporária das atividades nucleares, mas sem consenso sobre prazos.
Nesse cenário, o impasse no Estreito de Hormuz mantém o mercado em alerta máximo. Desde o início da guerra, há cerca de dois meses, o petróleo acumula valorização expressiva — cerca de 25% no caso do Brent.
Analistas avaliam que a combinação entre tensão geopolítica e incerteza logística deve sustentar a volatilidade dos preços por um período prolongado. Mesmo que a rota marítima seja liberada novamente, ainda há dúvidas sobre quando as empresas de transporte retomarão suas operações com normalidade.
Dados da plataforma MarineTraffic indicam que, desde a noite de sábado, nenhuma embarcação entrou ou saiu da região do Golfo, reforçando o clima de paralisação e insegurança no principal corredor energético do planeta.