Voo com políticos vira alvo de investigação por malas sem fiscalização

Entre os passageiros estavam o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira

A Polícia Federal abriu investigação para apurar a entrada no país de cinco malas que não passaram por inspeção em um voo que trouxe autoridades políticas ao Brasil. A ocorrência envolve uma aeronave particular que desembarcou em São Paulo e teve o caso encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.

Entre os passageiros estavam o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira. O deputado confirmou que esteve na viagem, afirmando que seguiu todos os procedimentos exigidos. Já o senador não comentou o episódio.

O voo ocorreu em 20 de abril de 2025, retornando de São Martinho, no Caribe, e tinha 16 pessoas a bordo. A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, ligado ao setor de apostas online.

Segundo a apuração, após o pouso no Aeroporto Executivo Catarina, em São Roque (SP), todas as bagagens e passageiros passaram inicialmente pelos protocolos de segurança. No entanto, minutos depois, o piloto retornou ao setor de fiscalização com cinco volumes adicionais, que não foram submetidos ao raio-X.

A conduta chamou atenção de funcionários do local, e a reação do auditor responsável pela liberação das malas também entrou na investigação. De acordo com a PF, há indícios de irregularidade na atuação do servidor, que já responde a outro processo por suspeitas semelhantes.

Até o momento, não foi possível identificar a origem ou o conteúdo das bagagens, nem a quem pertenciam. Por isso, a polícia não descarta a participação de pessoas com foro privilegiado.

O caso apura possíveis crimes como facilitação de contrabando, descaminho e prevaricação. Inicialmente em tramitação na Justiça Federal de Sorocaba, o processo foi remetido ao STF, onde está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República.