Filme sobre Michael Jackson enfrenta críticas por ignorar denúncias graves

Em entrevista à revista Variety, Reed afirmou que a produção distorce os fatos ao retratar o cantor como alguém apenas excêntrico

O cineasta britânico Dan Reed, conhecido pelo documentário Leaving Neverland, fez críticas contundentes à cinebiografia Michael. Para ele, o longa apresenta uma narrativa suavizada da trajetória de Michael Jackson ao ignorar completamente as acusações de abuso sexual infantil associadas ao artista.

Em entrevista à revista Variety, Reed afirmou que a produção distorce os fatos ao retratar o cantor como alguém apenas excêntrico e com comportamento infantil, sem abordar os relatos feitos por Wade Robson e James Safechuck no documentário lançado em 2019.

“Estão dizendo que o motivo pelo qual Jackson gostava de crianças era porque ele era um anjo e só queria ser gentil com elas, não que ele quisesse ter relações sexuais com elas”, declarou.

Segundo o diretor, o filme evita deliberadamente entrar nesse debate ao encerrar sua narrativa em 1988, período anterior às primeiras acusações públicas, como o caso envolvendo Jordan Chandler, que veio à tona anos depois.

“O filme seria uma resposta a ‘Leaving Neverland’, e eles tentaram isso em um roteiro inicial, mas não deu certo. Então, criaram esse filme com músicas já conhecidas, mas não conseguiram desenvolver uma narrativa plausível que explique o carinho de Jackson por crianças”, afirmou.

Apesar das críticas, a produção tem obtido forte desempenho comercial desde sua estreia, arrecadando cerca de US$ 217 milhões ao redor do mundo e impulsionando o consumo das músicas do artista nas plataformas digitais. Para Reed, esse sucesso evidencia a dificuldade da cultura pop em lidar com as acusações ao analisar o legado do cantor.

O diretor também mencionou obstáculos enfrentados por seu documentário na América do Norte, atribuindo a limitação de exibição a disputas jurídicas entre a HBO e o espólio de Michael Jackson. Desde 2020, a obra deixou de estar disponível nas plataformas da emissora nos Estados Unidos e no Canadá após um processo arbitral relacionado a cláusulas contratuais.