Argentina zera imposto de exportação de veículos a partir de julho

O governo argentino vai zerar o imposto de exportação para os carros produzidos no país, como Fiat Titano, Ford Ranger e Toyota Hilux, a partir de julho. A alíquota de 4,5% cobrada sobre os veículos enviados ao exterior deixará de ser cobrado, em uma medida temporária válida até junho de 2027. O movimento atende um pedido da Adefa, a associação das fabricantes da Argentina, para que o país fique mais competitivo não só em comparação ao Brasil, como também aos automóveis chineses.

Diferente da maioria dos países produtores, que isentam bens exportados para não encarecer o produto final, o país mantinha uma taxação incomum para itens automotivos. Na prática, a medida tenta anular uma desvantagem histórica em vez de criar um benefício comercial. A expectativa das fabricantes é que a previsibilidade nas regras destrave planos de produção e evite cortes de investimento.

Picape se sai notavelmente bem em estradas de terra e cascalho

Picapes médias na linha de frente

O mercado brasileiro é o principal alvo dessa mudança, já que absorve quase dois terços de tudo o que as linhas de montagem vizinhas produzem. A Argentina consolidou-se como o quarto maior produtor global de picapes médias. É de lá que vêm caminhonetes como a Toyota Hilux, Ford Ranger, Volkswagen Amarok e Fiat Titano, além da futura Renault Niagara, prevista para o fim do ano.

A isenção tenta criar um escudo justamente para esse segmento de utilitários com caçamba. Até pouco tempo, a dominância argentina na categoria era inquestionável, mas a chegada de picapes asiáticas com forte apelo de custo forçou uma revisão na estratégia. Há ainda o fluxo constante de automóveis de passeio, como o Fiat Cronos e a dupla Peugeot 208 e 2008, que também dependem dessa rota de escoamento.

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Ford Ranger Tremor
Divulgação/Ford

Repasse para o consumidor será discreto

Embora a redução tributária soe como um alívio imediato para quem espera comprar uma picape mais barata, a realidade nas concessionárias brasileiras pode ser diferente.

A mudança atende muito mais à necessidade de fôlego da economia argentina do que ao bolso do consumidor local. O setor automotivo representa mais de oito por cento do Produto Interno Bruto vizinho e movimenta 9 bilhões de dólares anuais (cerca de R$ 48 bilhões na conversão atual). Com a produção registrando queda no primeiro quadrimestre, garantir a manutenção das exportações para o Brasil tornou-se vital para evitar paralisações.

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Mais impostos na mira da indústria

O corte da alíquota federal é considerado apenas o primeiro passo pelas montadoras, que agora pressionam províncias e municípios a eliminarem taxas locais sobre a renda bruta. A carga tributária total sobre um veículo exportado pode bater na casa dos 15%, um gargalo pesado quando comparado aos 3% cobrados pelo Brasil, que hoje atua como parceiro e, simultaneamente, o maior competidor industrial da região.

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