O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, declarou que o governo de Rodrigo Paz estaria levando o país a um cenário de crescente instabilidade social e advertiu para a possibilidade de uma “guerra civil” diante das medidas adotadas pela atual gestão.
Em entrevista à agência AFP, Morales criticou o que classificou como políticas de viés neoliberal e afirmou que o governo estaria priorizando interesses externos em detrimento da população boliviana.
Na véspera, o ex-mandatário já havia acusado o governo de abrir espaço para a atuação de empresas estrangeiras na exploração de recursos naturais do país, além de apontar planos de reajuste em preços de combustíveis e serviços básicos. O governo nega todas as acusações.
As declarações ocorrem após apoiadores de Morales anunciarem uma suspensão temporária dos protestos que vinham sendo realizados há mais de um mês e meio em diferentes regiões da Bolívia. As manifestações pediam a saída do presidente Rodrigo Paz e chegaram a provocar bloqueios em importantes rodovias do país.
A interrupção parcial dos atos foi confirmada por lideranças das Seis Federações do Trópico de Cochabamba, uma das principais organizações de produtores de coca do país. Segundo os representantes, a pausa busca reduzir a tensão social, embora o movimento ainda mantenha posição de mobilização.
Durante a entrevista, Morales também reiterou sua defesa do cultivo da folha de coca, tradicional na cultura boliviana, afirmando que a atividade está ligada à soberania nacional.
O ex-presidente vive há cerca de dois anos na região de Chapare, área considerada seu principal reduto político. Ele é alvo de um mandado de prisão relacionado a uma investigação por suposto tráfico de menores. Morales nega as acusações e afirma que o processo tem motivação política.
Segundo ele, as autoridades não teriam encontrado indícios de corrupção ou envolvimento com tráfico de drogas, o que, em sua avaliação, reforçaria o caráter político das acusações utilizadas para desmoralizá-lo.
Morales também alertou que uma eventual ação policial ou militar na região onde está instalado poderia gerar reação de seus apoiadores.
Apesar das críticas ao governo, o ex-presidente negou ter defendido a saída imediata de Rodrigo Paz do cargo. Como alternativa, sugeriu a realização de novas eleições como saída para a crise política.
Por fim, afirmou que seu grupo político tem como principal pauta impedir a privatização de setores estratégicos, como energia, água, telecomunicações, saúde, educação e recursos naturais.