Bolívia emite pedido de prisão contra Evo Morales

A Justiça boliviana emitiu um novo pedido de prisão contra o ex-presidente Evo Morales, sob acusações de abuso sexual e tráfico de pessoas. A ordem foi divulgada pelas autoridades do país nesta sexta-feira (17/01). As acusações, que envolvem estupro e tráfico de pessoas, surgiram em outubro de 2024, quando Morales foi acusado de estuprar uma jovem de 15 anos durante seu mandato presidencial.

Este caso ocorre em meio a um cenário político conturbado na Bolívia, caracterizado por uma crescente divisão interna entre facções da esquerda. O pedido de prisão contra Morales foi feito após o ex-presidente não comparecer a uma audiência no tribunal relacionada à acusação. Esta é a segunda vez que ele falha em comparecer a compromissos legais relacionados ao caso.

Além disso, o juiz Nelson Rocabado, do Tribunal de Justiça de Tarija, determinou o congelamento das contas bancárias de Morales, além de registrar seus bens.

Em dezembro de 2024, Morales alegou ser alvo de uma “guerra judicial” dirigida pelo atual presidente Luis Arce, seu antigo aliado político. O ex-presidente, que refuta as acusações, fez a declaração após o Ministério Público boliviano solicitar sua prisão, uma vez que ele se recusou a depor sobre as alegações.

Esse novo movimento contra Morales ocorre em um período de tensão na política boliviana. Em 2021, uma disputa entre o ex-presidente e Arce, seu sucessor e atual líder do país, acirrou a divisão interna do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido que ambos representam. Arce, depois de se ausentar de um evento decisivo para a escolha do candidato do partido nas eleições de 2025, foi expulso da sigla.

Em consequência de uma decisão judicial em 2024, Morales também ficou impedido de concorrer à presidência nas próximas eleições, após o tribunal anular uma medida de sua antiga administração que considerava a reeleição como um “direito humano”.